Lua de Sangue

Sucesso devido a pacto satânico: Robert Johnson #2

O mito de que algumas personalidades famosas alcançaram grande destaque e reconhecimento entre o público e que fizeram pactos com o Diabo não é algo recente. Há tempos que algumas pessoas acusam artistas em geral, cientistas e escritores de possuírem relações com o Satanás em troca de conseguirem um êxito precoce ou suspeito. Mas claro que, essas especulações não são afirmações que podem ser tomadas como algum tipo de verdade, porém são boatos que tentam explicar as áureas estranhas que envolviam essas personalidades.

Como são feitos os pactos

De acordo com a crença tradicional cristã na bruxaria, o pacto é feito entre uma pessoa e o Diabo ou outro demônio qualquer; a pessoa oferece a sua alma em troca de favores. Esses favores variam de acordo com a história, mas a maioria envolve juventude, conhecimento, riqueza ou poder. Também se acreditava que algumas pessoas faziam este tipo de pacto apenas como um sinal de reconhecimento do Diabo como seu mestre, sem receberem nada em troca. No entanto o negócio é perigoso uma vez que o preço do serviço é a alma do pedinte. O conto pode ter um final moralizante com a maldição eterna daquele que fez o pacto.

Lendas urbanas ou não, essa série tentará mostrar a vocês alguns desses conhecidos que possuem, supostamente, misteriosas relações satânicas:

Robert Johnson

Nascido em Hazlehurst no Mississipi, Robert Leroy Johnson (1911-1938), era filho de uma família de lavradores e até os seus 16 anos ajudou a família com as tarefas no campo. Relatos afirmam que logo após sua partida em busca de aprendizagem musical, Robert não parou mais de viajar e tocava em todos os lugares que lhe abrissem espaço, principalmente na rua.

Robert Johnson foi um cantor, compositor e guitarrista norte americano de Blues. Um dos mais influentes músicos do gênero e inovador em sua forma de tocar. Aos 20 anos descobriu que conseguia fazer sua guitarra ‘chorar’ usando gargalo de garrafa quebrada. O estilo de execução com riffs muito bem elaborados, transformaram-no em um marco na história do Blues. Johnson aprendeu a tocar blues num curto espaço de tempo. Boatos dizem que isto se deve a viagem de volta feita à sua cidade natal.

A lenda

A carreira profissional de Johnson durara apenas dois anos (1936 a 1938), tocando somente em prostíbulos e bares de baixa popularidade. Gravou apenas 29 músicas e não conseguiu nenhum reconhecimento comercial em vida. Porém, recebeu de seus companheiros músicos o título de “The King of the Delta Blues Singers”.

Sua história é recheada de mistérios e lendas. Não sabe-se muito da vida pessoal do músico. Apenas duas fotografias do mesmo são conhecidas.

É difícil explicar onde o mito de Robert é iniciado, porém as histórias mais contadas e a lenda mais aceita – inclusive no episódio 8, da segunda temporada da série Supernatural – relatam que o músico não estava contente com sua ainda baixa popularidade musical e então armou um encontro com o Diabo no cruzamento das estradas 61 e 49, no estado do Mississippi, para vender sua alma em troca de se tornar o maior músico de blues de todos os tempos. Acredita-se que ele ficou a espera do demônio na encruzilhada e a meia-noite, o diabo em forma de um homem (ou mulher) apareceu para ‘afinar’ seu instrumento.

Os mitos aumentam – para alguns incrédulos em seu dom musical nato – quando os relatos dizem que antes do tal encontro, Johnson não era detentor de qualquer dom em especial, porém que depois de selar o acordo com ser sombrio, suas músicas fascinaram milhões de pessoas.

Não eram incomuns lendas e histórias demoníacas na época, envolvendo o blues que era primordialmente música feito por negros americanos, da região sul dos Estados Unidos. Canções como “Me and the Devil Blues“, “Hellhound on my Trail” e “Crossroad Blues“, Robert não fazia nada para atenuar os boatos e ainda reforçavam a ideia e fomentavam a suposta fantasia.

Tocando de costas para o público

 

Algumas atitudes de Robert Johnson ajudavam a espalhar sua fama de sinistro e adorador de forças ocultas. Uma delas era o seu hábito de tocar de costas para o público durante seus shows. O público então dizia que ele fazia isto para esconder o olhar do diabo que surgia em seu semblante para auxiliá-lo. Não obstante, a versão mais coerente supõe que ele tocava de costas para esconder os acordes que ele criava sozinho, não querendo que algum músico que estivesse na platéia o copiasse.

Robert morreu aos 27 anos de idade, no Mississippi  no dia 16 de agosto de 1938 e embora as causas de sua morte sejam incertas, é geralmente aceito que sua morte não foi acidental. A história que relatam é de que Johnson foi vítima de envenenamento por estricnina (usado como pesticida, principalmente para matar ratos), inserida no seu whisky, supostamente preparado por um homem que havia ficado enciumado por Johnson ter flertado com sua mulher. Há outras histórias como a de que havia morrido de sífilis, ou assassinado por arma de fogo. Mas também existem boatos que supõem que em seu atestado de óbito havia apenas escrito “No Doctor” como causa da morte.

Aqui a tradução de um dos seus maiores sucessos:

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Blues Da Encruzilhada (Robert Johnson)

Fui para a Encruzilhada/ caí sobre meus joelhos/ Fui para a Encruzilhada/ caí sobre meus joelhos/ Pedi ao Senhor de cima “Tenha piedade, agora/ salve o pobre Bob, se lhe agradar.”/

Estando na Encruzilhada/ tentei chamar a atenção/ eu tentei chamar atenção/ ninguém parecia me conhecer, babe/ todos passavam por mim/

Estando na Encruzilhada, baby/ o sol nascente se pondo/ Estando na Encruzilhada, baby/ o sol nascente se pondo/ Eu acredito em minha alma, agora/ o pobre Bob está nas profundezas/

Você pode correr, você pode correr,/ avise meu amigo Willie Brown/ Você pode correr, você pode correr,/ avise meu amigo Willie Brown/ que recebi o blues da encruzilhada de manhã, Senhor/ babe, estou afundando/

E fui para a Encruzilhada, mama/ Olhei para Leste e para Oeste/ Eu fui para a Encruzilhada, baby/ Olhei para Leste e para Oeste/ Senhor, eu não tinha uma doce mulher/ ooh-bem, babe, em minha angústia e aflição./

Por fim, um pequeno pedaço do episódio de Supernatural, onde o pacto é registrado. Tirem suas conclusões:

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