Lua de Sangue

Lendas urbanas assustadoras: A loira do banheiro #1

Foto de Maria Augusta

Lendas urbanas, mitos urbanos ou lendas contemporâneas são pequenas histórias de caráter fabuloso, amplamente divulgadas de forma oral, por e-mails ou pela imprensa e que constituem um tipo de folclore moderno. Geralmente são histórias que guardam algumas verdades mas como são transmitidas através do efeito “telefone sem fio” sofrem distorções grotescas, já que cada um conta a história da forma que acha mais interessante. Pela falta de provas e pelas alterações que sofrem ninguém fica sabendo ao certo aonde começa e aonde termina a verdade em uma lenda urbana. Mesmo assim não deixam de ser interessantes e um tanto asssustadoras. Confira:

A Loira do Banheiro 

Essa é sem dúvida uma das lendas mais conhecidas no Brasil, existem diversas versões diferentes em vários estados ( Minas Gerais, São Paulo, Alagoas, Bahia e Espirito Santo, em cada lugar é uma história diferente ) sobre a mesma lenda, mas no final, a base era quase sempre a mesma. Uma aluna ( algumas vezes uma professora ) loira que aparece nos banheiros dos colégios assustando os estudantes que matam aula. Uma constate em todas as versões é o algodão, a Loira está sempre envolta nele, ou com ele saindo de suas feridas, olhos e ouvidos.

Algumas versões a retratam como um professora que foi assassinada por alunos revoltados, que não satisfeitos, a torturaram fazendo cortes profundos em sua pele e enfiando algodão nas feridas. Em outras versões ela é uma aluna que morreu no banheiro da escola enquanto matava aula (às vezes devido a um escorregão que terminava com sua cabeça na privada, outras vezes ela morria sufocada com um mau cheiro que saía do ralo, bizarro mesmo!), após sua morte, seu espirito passou a ficar vagando pelos banheiros assustando os alunos que matam aula como ela fazia, nesse caso o algodão é referente aos tufos que os médicos enfiam no nariz, boca e ouvidos dos mortos por conta das secreções após a morte.

 

Como Evocar a Loira do Banheiro?

Muitas das versões sobre a lenda continham espécies de “rituais” para evocar sua presença, aqui temos um resumo de como são feitos:

Chutar 3 vezes a porta do banheiro
Dar descarga 3 vezes seguidas em qualquer privada
Ir para a última porta do banheiro e dar 3 descargas seguidas
Entrar em uma cabine, trancar a porta, sentar na privada e dar 3 descargas.
Bater a porta 3 vezes, dar descarga 3 vezes, abrir e fechar a torneira 3 vezes e falar 3 palavrões e depois em frente ao espelho chamar 3 vezes “Loira do Banheiro” ( “Neste ultimo caso não apareça a loira do banheiro provavelmente alguem vai aparecer e perguntar se você esta ficando louco kkk… ” ).

Caso a pessoa tenha coragem e faça esses rituais, ela aparecera com algodão no nariz cheio de sangue pedindo para você retirá-lo, algumas variações dizem que ela aparece com o rosto todo cortado pedindo para você passar o algodão, já outras dizem que ela aparece no espelho e fica te encarando.

 

Provável Origem

Blood Mary é uma lenda urbana que faz parte do folclore ocidental nela caso seu nome seja pronunciado três vezes em frente a um espelho, ela aparecerá para alguem que tenha envolvimento com alguma morte e tenha mantido segredo arrancando seus olhos ( muitas pessoas acreditam ter saído daí a inspiração para lenda da loira do banheiro ). Blood Mary já era bem conhecida no Brasil porém no ano de 1971, uma propaganda da Gillette, onde uma bela loira aparece no banheiro para barbear um rapaz, apavorou muitas criancinhas daquela época, que não queriam ir ao banheiro com medo da tal loira aparecer.

Já algumas pessoas acreditam na história em que a loira se chama Maria Augusta, filha do visconde Francisco de Assis de Oliveira Borges e da viscondessa Amélia Augusta CazalMaria Augusta teria nascido no ano de 1866 e teve uma infância privilegiada e um requintado estudo em sua casa, cujas terras ultrapassavam os limites da atual Rua São Francisco. Por ser muito bonita encantava os ilustres visitantes que passavam pelo vale do Paraíba, porém naquela época, a política dos casamentos não levava em conta os sentimentos dos jovens, pois os casamentos eram “arranjados” levando-se em conta os interesses dos pais.

Isto teria levado o Visconde de Guaratinguetá a unir no dia 1 de Abril de 1879 sua filha Maria Augusta de apenas quatorze anos de idade com um ilustre conselheiro do Império, Dr. Francisco Antônio Dutra Rodrigues, vinte e um anos mais velho que a bela jovem. Como era previsível, surgiram divergências entre Maria Augusta e seu marido, o Dr. Dutra Rodrigues, devido também à sua pouca idade, fazendo com que os pensamentos e ideais do casal fossem diferentes. Devido à esses problemas, Maria Augusta deixou a companhia do Marido em São Paulo e fugiu para a Europa na companhia de um titular do Império e alto ministro das finanças do reino, passando a residir em Paris na Rua Alphones de NeuvilleMaria Augusta assume definitivamente a alta sociedade parisiense abrilhantando bailes com sua beleza, elegância e juventude, porém no dia 22 de Abril de 1891, com apenas 26 anos de idade vem a falecer, sendo que para alguns, devido à Pneumonia, e para outros a causa foi a Hidrofobia.

Diz a história, que um espelho se quebrou na casa de seus pais em Guaratinguetá no mesmo momento em que Maria Augusta morreu. Seu atestado de óbito desapareceu com o primeiro livro do cemitério dos Passos de Guaratinguetá, levando consigo a verdade sobre a morte de Maria Augusta. Para o transportar do seu corpo de volta para o Brasil, foram guardados dentro de seu tórax as jóias que restaram e pequenos pertences de valor, e foi colocado algodão em seu corpo para evitar os resíduos. Quando o seu corpo chegou ao palacete da família, sua mãe o colocou em um dos quartos para visitação pública e assim ficou por algumas semanas durante a construção da capela. O corpo da menina, que estava em uma urna de vidro, não sofria com o tempo e ela sempre aparentava estar apenas dormindo. Depois sua mãe negou-se a sepultar o corpo da filha devido a seu arrependimento, mesmo quando a capela ficou pronta. Até que um dia, após muitos sonhos com a filha morta, pedido para ser enterrada e dizendo que não era uma santa ou coisa parecida para ficar sendo exposta, e da insistência da família, a mãe permitiu sepultá-la

A casa onde residiu a família e onde Maria Augusta nasceu tornou-se futuramente uma escola estadual seu nome é: Escola Estadual Conselheiro Rodrigues AlvesAlguma pessoas afirmam terem visto o espírito de Maria Augusta andando por lá em seus banheiros, disseminando assim o mito para várias outras escolas no Brasil.

Como toda lenda Urbana, não se sabe ao certo como e onde começou. Sabemos apenas que elas perduram pelo tempo povoando a imaginação das pessoas de várias gerações. E você, conhece alguma versão sobre a lenda da loira do banheiro ? Já tentou ou conhece alguém que tentou invocá-la ? Deixe seu comentário e compartilhe sua história conosco.

 

Fonte: Assombrado