Lua de Sangue

Contos Minilua: Tá com você #172

Sim, e desde já contamos com a sua participação. O e-mail de contato: Jeff.gothic@gmail.com! A todos, uma excelente leitura!

Tá com você

Por: Cleber Henrique

Era só uma brincadeira inocente, não era pra ter acontecido aquilo, por que justo com você foi acontecer isso?…

Essas foram as últimas palavras que minha irmã escreveu em seu diário antes de se matar ao jogar-se do quinto andar do prédio ao qual tinha acabado de conseguir emprego, eu não sabia ao certo quando ela havia escrito isso, não pôs data nesses últimos rabiscos, acredito que ela estava falando sobre a garota que morreu 3 anos atrás em um acidente bizarro que ocorreu em sua sala, não gosto nem de me lembrar daquilo, o horror estampado na cara de minha irmã, ficou 4 meses sem dizer uma palavra sequer, a sequência de bizarrices que aconteceu a turma de alunos que presenciaram a morte daquela garota ficará guardado como uma das coisas mais macabras que aconteceu em toda cidade.

Toda dia é a mesma coisa, acordo e vejo a cama de Joana, minha falecida irmã vazia, não me acostumava com aquilo, ela era uma moça feliz que havia superado um trauma que sofreu quando estudava, então quando sua vida estava ajustada ela se mata… Não fazia o mínimo sentido.

Afasto estes meus pensamentos que já não faziam mais sentido eu remoer, já se passaram seis meses desde sua morte eu já deveria ter superado, tomo banho e me sento na mesa pra comer um pão e beber um gole de leite.

– Por que esse rosto triste Clara? Indaga minha mãe com tom de preocupação.

– Não é nada só estou remoendo sentimentos antigos… Acabo falando o que a deixa mais preocupada.

– Não pense muito no passado minha filha, infelizmente não podemos mudar o que já aconteceu. Diz ela com feição triste.

– Você tem razão, obrigado mamãe. Beijo-lhe o rosto e saio de casa em direção a escola.

Hoje a cidade esta movimentada, muitas pessoas na calçada, o trânsito um verdadeiro caos, sigo meu caminho, ouço o barulho de um homem gritando em desespero no meio da multidão, olho para trás e o vejo, moço alto e magro correndo como se não houvesse um amanhã, seus olhos pareciam estar sangrando, ele mais tropeçava do que corria na verdade, então acaba esbarrando em mim e nós dois caímos no chão.

– Droga, porque você esta correndo desse jeito moço!

– Ele… Ele… Ele… Vai me pegar moça… Ele… Me salve moça! – O desespero presente em seus olhos era aterrador, parecia que seu coração pularia pra fora a qualquer momento tamanho a tremedeira que o homem estava.

– Fique tranquilo, não tem ninguém te perseguindo – Tento tranquilizá-lo não queria presenciar um enfarte bem na minha frente – Ele então me encara, e começa a apalpar meu rosto o que me assusta, logo penso que é um maníaco ou qualquer coisa do tipo.

– Me solta seu nojento! Qual o seu problema?! – Aos gritos me levanto, ele se levanta também.

– Você! Eu te conheço, você é parecida com a Joana uma antiga amiga de meu irmão, você é parente dela? Questiona com olhos de esperança.

– Joana era minha irmã seu tarado aonde você quer chegar com isso?! – Ainda estou nervosa por ele além de ter me derrubado, ter apalpado meu rosto de um jeito estranho.

– Nossa que sorte a minha! Me desculpe moça, me desculpe mesmo, espero que um dia me perdoe é que ele não vai parar de me perseguir, eu preciso fazer isso!

Não entendo o que diabos ele quis dizer com isso, então ele ergue a mão e a coloca em cima do meu ombro.

– Tá com você. – Apenas diz isso e vai atravessando a rua, em seguida começa a gritar: “Sou um homem livre, finalmen… O impacto de dois ônibus esmagando seu corpo com a colisão de frente interrompe sua frase, fazendo seu sangue jorrar para todo lado. Fico perplexa com aquela imagem, todos da rua estão tão chocados quanto eu, quais as chances de ocorrer uma colisão frontal de ônibus com uma pessoa no meio deles?

O socorro foi chamado e muita burocracia feita, acabo sendo levada para delegacia, algumas testemunhas presenciaram a minha breve discussão com a vítima e avisaram aos policiais. Já na delegacia, estou em um quarto apertado com apenas uma mesa e três cadeiras, me sento no lado de uma cadeira só, na minha frente duas pessoas, um homem e uma mulher, suponho que sejam investigadores ou delegados, não sei ao certo.

– Então, o que vocês querem que eu diga? – Meu tom soa sarcástico apesar de não ter sido minha intenção. A mulher então resolve tomar a iniciativa se ajeitando na cadeira e com a mão segurando o queixo.

– Me disseram que você estava discutindo com a vítima, vocês tinham algum relacionamento? Questiona.

– Não mesmo, eu nem o conhecia, ele apenas esbarrou em mim, disse várias coisas malucas e então morreu. – Respondo friamente não me importando com o que tinha acontecido com o sujeito. Dessa vez o homem que me dirige a palavra.

– Então senhorita Clara, o que ele disse a você antes da fatalidade? Pergunta ele com uma feição séria.

– Disse que estava sendo perseguido por alguma coisa, então antes de sair tocou em mim dizendo: “tá com você” e saiu andando pela rua gritando que estava livre até que… – faço um gesto de explosão com os braços representando o que o homem tinha se transformado quando foi esmagado. Então noto que o traço no rosto da mulher muda drasticamente, parecia que o pânico havia tomado conta dela pelo que eu falei. – Você está bem dona delegada? – pergunto preocupada.

– Começou de novo… Vocês vão todos morrer, assim como minha filha… – Ela está chorando, mas não em desespero, apenas escorrem lágrimas de seu rosto, o delegado então tenta acalmá-la abraçando-a e beijando sua testa sussurrando alguma coisa que não pude ouvir então ele olha para mim com uma feição que realmente me assustou.

– Moça… Você está em um enorme perigo, a maldição daquela turma ainda está viva, você sabe das atrocidades que ocorreram nesta cidade 3 anos atrás certo? Todos que eram daquela sala morreram um por um, sempre com mortes bizarras, até que parecia ter terminado, mas aparentemente voltou, já é a quarta morte estranha essa semana e pelo histórico das vítimas, todas eram ligadas diretamente com as que morreram no último massacre, você também é parente de alguma daquelas vítimas? Indaga ele com preocupação.

– Sou irmã de uma delas… – Agora estou realmente assustada, mas não posso fazer nada então me levanto para sair dali logo.

– Senhorita, tome muito cuidado, você também é diretamente ligada a uma das vítimas e não estamos falando de um assassino é algo pior não tem como deter isso, mas se acontecer alguma coisa me ligue nesse número, farei de tudo pra ajudá-la, amanhã vou visitar uma ex-aluna daquela sala, a única sobrevivente, se quiser vir comigo apenas me de um toque que eu lhe busco em sua casa.

– Ok, qualquer coisa estranha que acontecer eu te comunico. – Pego seu número e saio da sala, a mulher ainda esta chorando sem piscar os olhos, realmente muito estranho aquela reação que ela teve, dou de ombros aquele dia foi realmente muito longo, já é noite e acabei nem indo  à  escola, noto que a rua ainda tem um certo movimento o que me alivia, toda aquela história me assustou um pouco e ir embora sozinha não era uma boa opção.

Os postes não param de piscar, por um momento sinto um calafrio, mas era só meu cérebro me fazendo pensar bobagens, sigo meu caminho até que uma geleira percorre todo meu corpo me paralisando, olho fixamente para frente e vejo na distância de um quarteirão uma criatura horrenda me olhando, deveria ter uns quatro metros de altura, não podia ver direito estava muito longe, meu corpo não se move, suor era o que mais saia de mim, minhas pernas realmente travaram e aquela coisa estava andando em minha direção.

Não é possível que somente eu esteja vendo aquilo, as pessoas estão caminhando normalmente até que um rapaz passa ao lado do ser e é decapitado com facilidade tremenda, tenho a certeza que eles não estão lhe vendo, porque somente eu?

Ele continua matando as pessoas que cruzam seu caminho fazendo com que a rua vire um cenário macabro, então chega perto de mim. É enorme, corpo esquelético e totalmente negro como carvão, seus olhos estão vazando sangue e seu cabelo longo, ia até os joelhos, os postes pareciam uma boate de tão frenética que era aquela piscação sem fim.

“Não dá, que droga é essa? É real? Porque matou mais de 10 pessoas nessa rua e fica me encarando? Por que só eu pude enxergá-lo? Por que diabos meu corpo não se move? As lágrimas saindo de meu rosto estão incontroláveis, até que finalmente posso me mover, quando começo a correr sou pega pela blusa e arremessada na parede, sangue escorre de minha cabeça, mas não dói tanto, ele se aproxima de mim me pega na garganta, me levanta na altura de seus olhos, sua respiração é totalmente podre, um fedor insuportável, então babando grita comigo.

– PASSE A VEZ! – Que voz demoníaca ele tem, nem me debato para escapar, já havia aceitado que aquele seria o meu fim. Meu fim? Eu nunca desisti rápido assim do nada, então me debato ferozmente para me soltar aos berros.

– Me solta besta demoníaca! Por favor! Alguém saia aqui fora e me ajude! Clamo por socorro, não tinha jeito ele ainda me segurava pela garganta como se eu não fosse nada. Finalmente me solta e da um uivo ensurdecedor em minha direção, o som é tão alto que o solo onde eu estava caída é afundado alguns centímetros, fixamente me olhando repete a mesma frase “PASSE A VEZ!”, e dá um salto desaparecendo na escuridão da noite.

O sangue ainda escorria de minha cabeça, estava com vários hematomas por todo o corpo, mas isso não era nada, a imagem dele me encarando com aqueles olhos sangrentos eu jamais vou esquecer. Depois de mais de dez minutos caída ali sem me mover tamanha a tremedeira que meu corpo estava finalmente me acalmo, a sorte realmente não estava a meu favor hoje, nem sequer uma alma viva passou pela rua para me ajudar, nem mesmo comunico a polícia sobre os vários corpos mutilados que ali estavam, amanha vai sair no jornal e eu já estava de saco cheio de delegacia.

Finalmente em casa, minha mãe esta orando tanto que nem me vê chegando, então me sento a seu lado até que ela nota minha presença.

– Oh pelo amor de Deus minha filha, o que aconteceu com você? Liguei na escola e me falaram que você não foi, e só chega a essa hora em casa! – A preocupação dela era compreensível, eu sempre chegava no horário e nunca faltava da escola.

– Ah não se preocupe mãe eu acabei sendo assaltada e passei o dia todo na delegacia, o ladrão já está preso. – Não podia envolvê-la nessa história bizarra que estava acontecendo, apesar de que se o que o delegado disse for verdade ela também é ligada diretamente a uma das vítimas, mas deixo assim por enquanto.

– Meu Deus, que bom que você está bem, nunca mais me preocupe desse jeito ok? – Ok mamãe, estou exausta então vou dormir um pouco. – Meu corpo estava todo doído, mas não demonstrei para não lhe causar ainda mais preocupação.

Só consegui dormir 3 horas após deitar na cama, pelo incrível que pareça não tive pesadelos com aquela besta macabra. Já é de manhã, ligo para o delegado e lhe falo todo o ocorrido comigo e peço para que me busque para visitarmos a tal aluna que ele havia mencionado.

Visto uma blusa leve deixando meus braços a mostra e uma calça jeans. Deixo um bilhete em cima da cama dizendo que sai de casa mais cedo apenas pra poder fazer uma caminhada. Ter que falar a minha mãe o porquê de um delegado estar vindo me buscar seria muito complicado.

Finalmente ele chega com seu carro, um Fusca, desce, e está vestido com uma roupa casual, camisa branca, calça jeans, cabelo bem penteado com topete.

– Então delegado, quer dizer… Poderia me dizer seu nome que até agora não sei? Questiono um pouco envergonhada.

– Ah que cabeça a minha, não me apresentei na delegacia, meu nome é Paulo, agora deixando o meu nome de lado senhorita Clara, você foi atacada por uma criatura maligna?

– Sim, não acredito que sobrevivi você não ficou sabendo dos inúmeros corpos encontrados em uma rua próxima daqui?

– Me falaram sobre isso sim, quer dizer que foi essa criatura que fez aquela carnificina.

– Foi e era pra eu fazer parte das vítimas, mas a besta me deixou sobreviver por algum motivo.

– Enfim, que bom que esta viva, precisamos descobrir o que tá havendo na cidade urgente antes que mais pessoas morrão. Entre no carro estamos indo visitar a moça.

Viajamos por cerca de trinta minutos, e então noto que estamos entrando em um hospício.

 – Um hospício? Pergunto assustada.

– Sim a ex-aluna está aqui atualmente, pode ser doloroso pra ela, mas precisamos saber o que ocorreu naquela sala.

Passamos pela entrada, ele estaciona o Fusca, caminhamos até a recepcionista que tem uma aparência esquisita, ignoro o que eles estão falando, então seguimos caminho até a sala da tal moça. Na porta está escrito Angelina, me lembro então que minha irmã falava muito dela e sobre sua popularidade.

Assim que entramos noto que não era pra menos ela é linda, olhos verdes como uma jóia e cabelo comprido e loiro feito ouro, mas esta totalmente acabada, olheiras que lhe faziam parecer um urso panda, tremia muito e sua camisa de força a deixava mais bizarra ainda, nos sentamos em frente a ela e o delegado então inicia a conversa.

– Oi senhorita Angelina, eu sou Paulo e essa aqui é Clara, muito prazer.

– O que querem? Indaga de forma fria.

– Vou ser direto, quero que me fale o que aconteceu na sua sala no dia da tragédia. – Ele realmente está sendo frio aqui, assim como tem que ser mesmo, se demonstrar fraqueza não conseguimos nada dela. A expressão de indiferença que Angelina está não muda nem um pouco, pensei que ela fosse surtar por ter vindo parar aqui pelo seu trauma, mas ela mantém o rosto indiferente.

– E o que quer saber exatamente? Já repeti essa historia mil vezes, decidimos brincar de “tá com você” no telhado da escola, todos nos divertindo muito, até que Cíntia fixou seu alvo na Bernadete e correu atrás dela, daí como estava muito na beirada Bernadete escorregou e espatifou no chão do pátio da escola, ficamos horrorizados era uma garota tão meiga, mas acusaram Cíntia injustamente de assassinato, todos viram que a Bernadete apenas escorregou, porém o medo da culpa cair sobre eles os fizeram a acusar sem hesitar, investigações foram feitas e acabou que a polícia não a culpou pelo ocorrido e sim a escola pela falta de segurança no telhado onde os alunos ficavam frequentemente.

A quantidade de acusações que Cíntia sofreu a traumatizou de tal maneira que ela cometeu suicídio alguns dias depois esfaqueando os próprios olhos, seu corpo foi encontrado com a faca ainda em um dos olhos com ela a segurando.

– Entendo, mas o que desencadeou a sequência de mortes? Você sabe algo a respeito?

– Foram mortos um a um, por uma criatura bizarra, eu só lhe vi uma vez, tenho certeza que o tal monstro era Bernadete se vingando por ter caído do telhado, sempre querendo que a pessoa passasse a vez sem errar, se errasse era morto, tinha que escolher aleatoriamente e torcer para ser a quem aquela coisa queria, ninguém acertou sequer uma vez e ele foi os assassinando, outros de tão apavorados cometeram suicídio, mas eu descobri uma forma de deter aquela coisa. Matando a pessoa da vez, foi assim que eu me salvei, matei um amigo, só tínhamos nós dois então ele queria tocar em mim para se salvar, mas o matei, e a criatura sumiu instantaneamente.

Não posso esconder o meu pavor, eu sou a pessoa da vez, basta eu morrer que a criatura para de agir! Espera um momento a criatura não sumiu, ela está atacando de novo então a teoria dela esta errada. Quando vou dizer isso a ela Paulo novamente toma a iniciativa.

– Angelina, percebi que você não está louca, muito menos traumatizada, por que está aqui afinal? Indaga com desconfiança.

– Para me proteger! Eu não tinha certeza se aquilo viria me pegar algum dia então me internei aqui, trouxe o corpo do meu amigo que matei enrolado em uma corda o que os fez me julgarem como uma maníaca e me trancafiaram aqui.

– Você estava certa, o que você fez só impediu a criatura por um tempo, mas já começou de novo as mortes estão acontecendo e não conseguimos impedir.

Quando ele diz isso finalmente noto a face de Angelina mudando, o medo lhe tomou novamente.

– Saiam daqui! Achem a pessoa da vez e a matem! Pelo menos ganhamos algum tempo! Gritando e se debatendo contra a parede macia do cômodo.

– Sou eu. Finalmente digo algo, mas não foi das melhores escolhas, os olhos dela mudam para o de um assassino frio e gritando ela parte pra cima de mim – Sua vaca você vai morrer aqui mesmo! – As luzes se apagam e acendem freneticamente, então me lembro, já presenciei isso antes.

Angelina está contra a parede, sendo enforcada sem poder de reação afinal seus braços estavam presos, A criatura está a sufocando sem piedade alguma, me viro e vejo o estado de choque que Paulo está, ele não consegue fazer nada também, o efeito de paralisia era muito forte perante essa criatura, então com a mão livre a besta perfura com mais de dez golpes seguidos o estômago de Angelina fazendo suas entranhas se espalharem pra todos os lados, quando deixa seu corpo morto cair no chão olha diretamente a mim, novamente sua voz demoníaca me é direcionada – PASSE A VEZ! –

As luzes finalmente param de piscar e a criatura já não estava mais ali, Paulo está encarando todo aquele cenário macabro que o cômodo se tornou sem ao menos piscar, decidimos então sair dali o mais rápido possível e passando pelos corredores percebemos, estão todos mortos nesse hospício, vários corpos mutilados para todos os cantos, sangue esparramado um braço aqui, uma cabeça ali, não posso conter minhas lágrimas de pavor, Paulo está se mantendo firme apesar de tudo que aconteceu de maneira tão rápida.

Ainda não nos dirigimos sequer uma palavra até chegarmos ao Fusca, mas Paulo finalmente quebra o silêncio.

– Senhorita Clara, não vou te matar apenas para ganhar tempo, vamos acabar com isso juntos, vou fazer todas as pesquisas e interrogatórios que puder, apenas mantenha-se a salvo até eu entrar em contato novamente! Agora entre no carro vou te levar pra casa. – Ele estava realmente determinado seus olhos me transmitiam toda confiança que me faltava naquele momento.

– Obrigada delegado Paulo. – Só posso dizer isso por enquanto, determinação não queria dizer que fossemos vencer, mas já era um começo. Em casa, finalmente, me despeço do delegado com um beijo no rosto e então entro em casa, abro a porta e presencio minha mãe suspensa no ar com um punho negro atravessando seu estômago.

Continua…