Contos Minilua: Paredes #214

Pois é, e lembrando que todos podem participar! Se preferir, encaminhe matérias ou desenhos ok? E-mail de contato: [email protected]! A todos, uma excelente diversão!




Paredes

Por: Kauani Gabrielli

Era noite, e eu estava voltando de mais uma aula monótona da faculdade de psicologia, quando passo em frente a uma construção em ruínas, algo naquilo me atrai, porém não sei o que, depois de um tempo observando aquela paisagem um tanto “assustadora” vejo alguns papéis jogados, a curiosidade toma conta de mim, afinal, sou humana, e está no meu sangue, vou até os papéis, é um texto escrito à mão com uma caligrafia bonita, porém muito tremida, decido levar para casa e ler no dia seguinte já que está muito escuro e me sinto muito cansada.

No outro dia, fiquei até escurecer distraída com meus afazeres, trabalhos e muita coisa, e como é sábado, não tenho aula, então me lembro dos papéis que achei na noite passada, e decido os ler.

“Medo. Todos temos medo. O medo estava aqui, no mundo antes mesmo de existirmos, e no universo antes do mundo existir, e em tudo aqui antes mesmo de existir. O medo está sempre presente, não adianta negar, não adianta fugir, o medo está sempre aqui. Foi o medo que fez os peixes saírem da água e criarem pulmões, é o medo que nos faz enterrarmos nossos mortos. Medo.

Não sou escritor nem nada, mas quando se tem uma história, é preciso contar ela, ainda mais quando se encontra em uma situação como essa, saiba que escrevo estas palavras enquanto ainda me julgo suficientemente são para escrever tais palavras e enquanto eles não me acham, e eu sei que vão achar lamento por isso, lamento por não ter dito à Juliana o quanto a amava, e agora, é tarde demais, lamento por não ter ouvido o aviso, lamento por me julgar corajoso, sim, eu me julgava sem medo, corajoso em todas as formas, não acreditava em coisas sobrenaturais nem nada do gênero, mas afinal, o que é coragem? E como podemos ter tanta certeza de que coisas inexplicáveis não existem? Nem tudo precisa de explicação. Na verdade, nada precisa de explicação.

Uma semana atrás, eu estava com o grande amor da minha vida, que não sabia que era o amor da minha vida, porque nunca tive coragem o suficiente para lhe dizer, estávamos jantando a umas duas quadras de minha casa, nós éramos grandes amigos faziam mais de 10 anos, praticamente crescemos juntos, e eu a amo desde sempre. Naquela noite, era muito tarde quando voltamos para casa, então, a convidei para dormir na minha casa, e era quase sempre lá que ela dormia.

Sabe, Juliana tem muitos pesadelos, muitos mesmo, tantas vezes já me acordou aos gritos às 3 da madrugada, e ela sempre sonha com a mesma coisa, unhas arranhando paredes, é sempre isso, e eu nunca fui de acreditar, embora fosse muito cristão, não acreditava que demônios, ou almas, ou espíritos pudessem aparecer e me matar ou coisa do gênero.

Mas naquela noite, foi diferente, ela acordou aos gritos e eu fui lá ao quarto dela, era mais um pesadelo, e embora eu já soubesse de cor sobre o que era lhe pedi mesmo assim que falasse, ela gaguejava e chorava muito, nunca a vi tão desesperada, ela me disse que desta vez, a “coisa” que arranha as paredes veio na direção dela, a matou e depois veio na minha direção, eu disse para ela ter calma, que foi só um pesadelo, mas sabe, senti medo, porque nos olhos dela, havia mais pavor do que eu possa descrever.

Fui lhe buscar um copo d’ água, e quando cheguei à cozinha, a ouvi gritando outra vez, subi as escadas correndo, abri a porta do quarto, e foi a pior cena que eu pude imaginar, nem com todos os filmes de terror que você possa ter visto, nem com todos os monstros que você possa imaginar, nem tudo o que há de pior e aterrorizante no mundo, poderá descrever o que eu vi ao abrir a porta.

Aquela “coisa” sentada em cima da Juliana, a destroçando, arrancando a pele e tudo o que via pela frente, aquela “coisa” matando a pessoa que eu mais amo na vida com o sorriso mais cínico e apavorante que existe, e eu paralisei, não sei direito o que aconteceu, talvez eu pudesse ter pulado em cima daquela coisa para tentar salvar a Juliana, e faria isso, se a cabeça dela não estivesse a uns 2 metros do corpo, eu só fiquei ali parado, vendo aquela “coisa” destroçar meu grande amor, e gargalhar daquilo, eu só consegui me mexer quando aquela “coisa” acabou o seu banquete macabro e veio na minha direção, eu corri, e ela vinha atrás, arranhando as paredes, e rindo com aquela boca podre, e eu corri de um jeito que eu nunca pude imaginar que pudesse, só corri, sem olhar pra trás, e ouvi aquela “coisa” dizer, mesmo estando muito longe de mim, era como se sussurrasse em meu ouvido: “Eu vou achar você…”

Eu saí da casa, chovia tanto à ponto de não conseguir enxergar quase nada à minha volta. Mas continuei a correr sem rumo, corri por uns becos até que, acho eu, meu corpo e minha mente não aguentaram mais. Caí ali, no meio da rua, sujo de sangue e fedendo à morte e a medo.

Acordei aqui, em uma cama de solteiro, paredes acolchoadas, uma luz no teto, privada e uma porta, trancada por sinal.

Comecei a gritar, e quanto mais gritava, mais parecia que ninguém me ouvia.

Ouvi abrirem a porta, tentei fugir, porém fui surpreendido por um homem robusto que me enfiou uma agulha na veia, desmaiei.

Quando acordei, havia uma mulher sentada ao lado da minha cama. Uns 50 anos, olhos negros e penetrantes e avental branco com emblema de alguma coisa costurado.

- O que aconteceu? Por que eu estou aqui? Cadê a Ju?- Eu perguntei.

- Calma moço - Ela respondeu - Vou te explicar tudo. Um homem te encontrou desmaiado no meio da rua sujo de sangue, ligou para a polícia que constatou que o sangue não era seu, você murmurava coisas como “o monstro, o monstro que arranha paredes” e coisas sem nexo, segundo a polícia você matou sua colega de faculdade de uma maneira tão cruel que nunca irei conseguir entender. Fizemos exames psicológicos no senhor, e achamos melhor o deixarmos aqui até o seu julgamento.

- Isso é um hospício? Vocês acham que eu estou louco? - Disse impaciente e exaltando um pouco a voz.

- Calma moço, vou buscar seus remédios e logo voltarei, tente se manter calmo - Ela disse enquanto saia do quarto.

Fiquei perplexo.

Como estaria louco? Como poderia ser delírio? Eu vi tudo, com meus próprios olhos que Deus me deu. Não era sonho, não era loucura, era tudo real. Infelizmente era real. E eu suava de medo novamente.

Naquela noite, depois dos remédios, dormi, e nos meus sonhos aquela criatura aparecia e dizia que sabia onde eu estava que viria me buscar, e eu acordava morrendo de medo. Aquele medo que sempre me neguei a sentir.

Agora estou aqui, escrevendo em papéis que achei, registrando minha própria história antes que eu acredite que estou mesmo louco, e antes de eles me acharem.

E eu quero que qualquer um que ache estes papéis, saiba: monstros existem, o sobrenatural existe, é real, a coisa que nos olha pelas costas, as sombras que se transformam nos cantos escuros, todas elas existem. Eles são reais. Tenho certeza disso agora. E tenho medo, muito medo, não quero que me achem, não quero que aquela criatura tenha o gostinho de me matar com aquele sorriso cínico, mas sei que isso vai acontecer. “E agora, daqui desse canto escuro do quarto, escrevo minhas últimas palavras porque ouço os arranhões cada vez mais perto, e na parede à minha frente vejo as sombras se formarem, e no meio delas, vejo aquele sorriso cínico.”

E no segundo que acabei de ler, senti um frio subir pela espinha… Nunca acreditei nesse tipo de coisa, mas agora, agora é diferente, agora sinto medo, não, não é medo, é bem mais que isso, é pavor, e eu me sinto paralisada de medo no segundo em que, começo a ouvir atrás de mim, unhas arranhando a parede.

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  1. Adriano Saadeh

    29 de setembro de 2014 em 07:34

    Legal o conto Kauani!

  2. Garota Infernal

    29 de setembro de 2014 em 01:21

    Achei muito clichê, não me empolgou em nada. Tudo foi bem clichê, a “pessoa certa” que encontra a pista de um acontecimento, os pesadelos iguais, o cético, o gore hiper clichê de simplesmente “rasgar tudo” e a mensagem “acredite no sobrenatural”. Contos devem responder o porque do acreditar.

  3. Jeff Dantas

    28 de setembro de 2014 em 20:51

    Lembrando quem quiser, pode mandar matéria tb 🙂 ou desenhos! ^^

  4. Terrorista

    28 de setembro de 2014 em 20:12

    A CRIATURA REPRESENTA O COMUNISMO E OS JOVENS OS CIDADÃOS DE BEM.

    • Thanatos

      28 de setembro de 2014 em 20:36

      E as paredes o muro de Berlim…

  5. André Silva

    28 de setembro de 2014 em 20:10

    Bacana o conto!
    Eu me perdi no meio da história, pensei que a carta fosse o conto, no final que fui ver que tudo o que eu estava lendo era a carta que a menina tava lendo, muito louco isso daí, achei meio confuso, mas mesmo assim gostei!

    • André Silva

      28 de setembro de 2014 em 20:13

      Enviei um comentário e deu falha, depois enviei novamente e duplicou, eita!

      • Jeff Dantas

        28 de setembro de 2014 em 20:50

        Prontinho, resolvido! 🙂

  6. André Silva

    28 de setembro de 2014 em 20:10

    Bacana o conto!
    Eu me perdi no meio da história, pensei que a carta fosse o conto, no final que fui ver que tudo o que eu estava lendo era a carta que a menina tava lendo, muito louco isso daí, achei meio confuso, mas mesmo assim gostei!

  7. DCemblemático

    28 de setembro de 2014 em 19:53

    Agora me pergunto como o cara preso no hospício conseguiu tira os papeis de lá? Tipo como ele conseguiu leva os papéis para rua se ele estava preso? A menos que as ruínas sejam o hospício, então a criatura matou todos do hospício? He-he-he

  8. Luisinho Silva

    28 de setembro de 2014 em 19:37

    Parece a categoria “creepypasta dos fãs”, do blog Creepypasta Brasil. Muito clichê.

    • DCemblemático

      28 de setembro de 2014 em 19:46

      Nem fala do CPBR, 95% da matéria de lá agora só é feito por fãs e as que são traduzidas pelos os autores nem chegam a ser realmente boas, acho a última Creepy que realmente gostei foi a do PenPal(que bem que o minilua podia traduzir e posta aqui) o resto bom e o resto he-he-he

      • Adriano Saadeh

        29 de setembro de 2014 em 07:35

        Já to trabalhando numa creepy… sai ainda essa semana!

        • Terrorista

          29 de setembro de 2014 em 09:35

          Vai ser em vídeo?

          • Adriano Saadeh

            29 de setembro de 2014 em 09:49

            Nos dois formatos, texto e vídeo!

            • Terrorista

              29 de setembro de 2014 em 09:58

              Texto no vídeo ou vídeo no texto?

              • Adriano Saadeh

                29 de setembro de 2014 em 10:00

                quanta pergunta cara!
                kkkkkkkkkkkkkkk
                Separados, como vocês pediram!

                • Terrorista

                  29 de setembro de 2014 em 10:08

                  Ah sim. Como você é obediente!

                  • Adriano Saadeh

                    29 de setembro de 2014 em 10:10

                    Como você é paspalho!
                    xD

                    • Terrorista

                      29 de setembro de 2014 em 10:12

                      DEDICADO AO MESTRE COM CARINHO!

20 Comentários
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