Contos Minilua: O Limbo – Primeira Parte #270

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Hoje nós vamos apresentar mais um conto enviado pelo usuário Elson Miranda




O LIMBO - Primeira Parte

Sara abriu os olhos devagar, viu uma pequena lua amarela, borrada, se transformar em uma lâmpada fraca que se acendia no teto, uma mariposa passou voando. Ela soltou um gemido de dor. A respiração ardia, a vista escurecia; cheiro de chuva, umidade, barulho de água pingando, a boca com um gosto amargo… Ela estava no chão toda molhada, suja de lama, num lugar imundo… tentou ficar de pé, mas caiu sentada, a cabeça doía, sentiu tontura, ânsia de vômito, o estômago em reviravoltas, teria sido drogada?

A vista foi clareando aos poucos com a luz amarelada e muito fraca do ambiente… móveis velhos, garrafas quebradas, material de pesca, entulhos, nenhuma janela, uma escada e no alto uma porta… Sim, ela estava em um porão e por mais impossível que parecesse, ela reconhecia aquele lugar de alguma forma. Sim, ela estava no porão da cabana de sua família. Tentou se lembrar de alguma coisa, sua última recordação era de ter encontrado, no sótão da antiga casa de seus avós na cidade, o estranho diário do avô, de estar sozinha dirigindo em meio a uma forte chuva e de estar chegando para se encontrar com a família na cabana.

A dor de cabeça a impedia de se lembrar de tudo com clareza. Mas se recordava de não ter encontrado ninguém na cabana. Recordou de ter recebido uma ligação de sua mãe pelo celular, mas não se lembrava da conversa. Mas havia uma parte mais nítida na memória, se lembrou de parecer ter ouvido alguém naquele mesmo porão, de ligar a luz para descer até lá, mas ao abrir a porta, sentiu algo frio tocar sua mão e não era ninguém, lembrou-se do medo que sentiu, mesmo assim desceu até o porão, uma mariposa passou voando, foi quando ouviu um gemido bem baixo, se assustou e jogou o celular no chão, esbarrou numa cadeira que caiu, saiu chutando várias garrafas e subiu a escada correndo deixando cair algo da bolsa na escada.

Depois se lembrou de ter retornado ao carro às pressas e lá se deu conta de ter deixado caído para trás o diário do avô. Para o restante só havia trechos de memória: clarão na estrada, alguém a atacando, lances de luta, um punhal, lembrou-se de estar correndo pela mata, de estar caindo, se sufocando, se afogando na água… Esforçou-se, mas não havia mais nenhum traço de memória. Agora estava naquele mesmo porão da cabana. Com dificuldade para ficar de pé, pois estava com os pés machucados, foi pisando em meio aqueles cacos de vidro e subiu os degraus bem devagar, tateando a mão na parede, estava cambaleante, ofegante, com um cansaço muito grande, seu corpo tremia; ainda meio tonta sentia uma ardência e dor enorme nas costas…

Parou por um momento e passou a mão direita nas costas e sentiu a dor aumentar, observou sua mão enrugada, parecia envelhecida… Ficou assustada! Seus dedos estavam sujos de sangue, teria sido golpeada nas costas? Chegou à porta que estava trancada, não conseguiu enxergar nada pelo buraco da fechadura, nem pela fresta debaixo da porta, tudo escuro do lado de fora! Esmurrou a porta gritando por socorro… Aguardou por longos e eternos minutos… Nenhuma resposta… Teve a impressão de ter ouvido um carro chegando, aguardou, mas só havia silêncio… Um silêncio mortal! Foi descendo a escada e escorregando pela parede e se sentou chorando convulsivamente, estava em agonia… Não se lembrava de nada, nem de como chegara até ali. Um desespero enorme tomou conta de Sara.

Ela desceu a escada, quase caindo, para ver se encontrava algo para tentar abrir a porta, mas não encontrou nada. A ardência nas costas estava aumentando, não havia nenhum espelho, nem nada para refletir, para que ela pudesse ver sua aparência e o que era aquilo nas costas… Foi quando viu no canto, jogado no chão, nem acreditou no que viu: era seu celular! Pegou o celular com as mãos trêmulas e digitou para a emergência… Só então se deu conta que não havia sinal… Andou pelo local de um canto ao outro levantando o braço procurando por algum sinal e nada… Subiu a escada até a porta e também nenhum sinal. Desceu a escada, levantou uma cadeira caída e se sentou. Então olhando para o menu do celular, teve uma ideia, usou a câmera do celular para tirar uma foto para ver o que tanto lhe doía nas costas… Num grande esforço e fazendo contorcionismo com o braço para trás, conseguiu tirar uma foto.

Girou a tela para a posição correta da foto e lá estava: talhados, em cortes pequenos e profundos bem no meio das costas, dois números: 27. Agora nada mesmo fazia sentido!

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  1. Laercio Gomes de Barros

    10 de maio de 2016 em 11:04

    uma mariposa passou voando!!!!

  2. Luiz Fernando Maciel

    9 de maio de 2016 em 15:27

    Muito bom, esperando parte 2

  3. Crescer Resgate de Cães

    9 de maio de 2016 em 02:03

    suspense com mistério é um bom jogo… são quantas partes no total? já gostei bastante da primeira, repassei para alguns amigos que também gostaram, que venha a continuação…

  4. Livro Proibido

    9 de maio de 2016 em 01:54

    GENIAL! É PARTE DE ALGUM LIVRO?

  5. Livro Proibido

    9 de maio de 2016 em 01:47

    Estória maneira, bem elaborada, gosto de detalhes de ambientes, por enquanto nota 10 Torcendo para a parte 2 seguir a mesma linha. Vlw muito!

  6. Alexandre Jose Ribeiro

    9 de maio de 2016 em 01:31

    Muito bom! Suspense bem escrito, fiquei preso ao texto do início ao fim,como se estivesse assistindo a um ótimo filme de terror! Parabéns! Ansioso pela Segunda Parte… O que será que irá acontecer??? Será que de fato Sara está no limbo, ou num sonho,ou foi sequestrada para algum ritual e está com amnésia?? Quando será publicada a Segunda Parte??

6 Comentários
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