Contos Minilua: O doce sabor do açúcar #69

Pois é, e no  “contos” de hoje, um dos temas mais recorrentes dos últimos tempos. A todos, é claro, uma ótima leitura! E-mail de participação: [email protected]




O doce sabor do açúcar!

Por: Sara Falcato

A noite encontrava-se perfeita.

Mesmo com o perigo eminente, Sheila achava que era um absurdo ficar em casa na companhia do vinho e da música. Queria alguém para compartilhar a noite, um corpo quente e cheio de vitalidade.

A lua cheia chamava-a para fora.

Não conseguiu recusar. Foi para o banho, maquilagem e perfume. Quando se escapela de dentro do apartamento a meia-noite já tinha passado.

Junto do bordel as ruas estavam desertas.

Estranhou tal fato.

Normalmente as ruas tinham bêbados, carros a fazer barulho e pessoas a quererem diversão, em vez de ficarem numa casa vazia, triste e fria.

Sheila colocou a culpa no tempo chuvoso.

- Parece que as pessoas não gostam de sair quando a chuva aparece. – disse para com os seus botões.

Parou na entrada do bordel.

Sem ninguém.

Nenhum segurança ou drogado.

Apenas uma placa a dizer “Caça aos Vampiros”.

- Vampiros? Estão loucos? Quem é que deixa tudo aberto para ir caçar vampiros?

As perguntas na sua mente não a deixavam pensar corretamente.

Achou melhor telefonar a um conhecido. Porém, enquanto digitava o número sentiu que estava a ser observada.

Fingiu não se aperceber.

Um perfume sutil acompanhado de uma voz extremamente hipnotizante quebrou o silêncio:

- Venha comigo!

É puxada por uma mão masculina forte e macia.

Foi atrás dele para dentro do edifício, calada como uma boa menina, esquecendo-se do perigo que podia estar a correr.

Ele deixou-a sentada numa mesa, estava tudo vazio, nada de corpos suados a dançar.

- Acalme-se. – diz ele. – Eles irão ver que é tudo uma loucura… é impossível caçar vampiros.

- Porque diz isso?

- Bom, não sei – ele encosta-se a Sheila e toca-lhe com a mão no rosto gelado. – Acredita em vampiro?

- Claro, o menino não?

O homem sorriu.

Beija-a. As suas mãos deslizam pelo corpo de Sheila, entram para dentro da sua roupa.

Os seus lábios grossos tocam-lhe nos seios, ela fica ansiosa e excitada.

Carinhosamente a boca de Sheila encaminha-se para o pescoço dele. Não conseguiu esperar mais:

Morde-o.

O seu sangue era tão doce como açúcar.

A pele dele fica fria e esbranquiçada.

Ela larga o corpo.

- Esse vinha com a mesma intenção do que tu. – Sheila dá um pulo ao ver aquela mulher vestida de preto sentada no balcão. – Queria diversão, viu que não estava aqui ninguém, mas preferiu entrar. – suspirou ao ver o corpo. – Que se pode fazer?

- Tu és caçadora… Como é que…

- Descansa mais ninguém para além de mim está a caçar vampiros, nem isso lhe passa pela cabeça. Estava à espera que chamasses algum amigo teu, assim mataria dois coelhos de uma cajadada só. Mas apareceu esse ai - a mulher de negro apontou para o homem sem vida. – E ficaste encantada por um jovem rosto.

- Não era suposto protegeres as pessoas? – perguntou Sheila. – Porque me deixaste matá-lo?

- Não quero proteger as pessoas. – a caçadora saltou do balcão, levando duas bebidas. – Apenas não gosto de vocês. – sentou-se a mesa e fez sinal à outra para acompanhá-la.

- Eu não entendo… - suspirou Sheila.

- Bebe, vai ser a última bebida que os teus lábios provarão.

- Não me vais matar. – a vampira tentou atacá-la.

- Está a ser morta neste instante. – a sugadora de sangue largou o copo. – Um amigo meu disse que isso ainda não tinha sido experimentado…

O corpo de Sheila começou a ficar cinzento, ela contorcia-se para todo o lado. Contudo já nada podia fazer. 

- Parece que resulta! – exclamou a mulher de negro.

Saiu para a escuridão noturna, já tinha acabado o assunto com a vampira provocadora.

A caçadora foi à procura do seu amigo desaparecido, começava a ficar preocupada, não se perdoaria se alguma daquelas sanguessugas lhe voltasse a tocar…

GOSTOU DO NOSSO CONTEÚDO?

Receba as atualizações por e-mail!

É gratuito e sem SPAM
Reaja! Comente!
Topo