Contos Minilua: O Buraco na Parede #258

Pois é, e para participar é muito fácil. Se preferir, encaminhe desenhos, matérias ou contos. Ah,o e-mail de contato, claro [email protected]! A todos, uma excelente leitura!




O Buraco na Parede




Por: Alessandro Alves

halloween

Gabriel encara a parede aflito. Ele não entende o que está acontecendo por que aquilo não faz o menor sentido. O grito que estava preso pelo choque sai com toda a força depois de um bom tempo encarando aquela coisa bizarra. Ele sai correndo para o quarto dos seus pais.

- MÃÃÃE! TEM UM BURACO NA MINHA PAREDE! TEM ALGUÉM LÁ DENTRO.
Seus pais se levantam de súbito. Gabriel era um garoto quieto, não tinha o costume de fazer tamanho escândalo.

- Que que é, Gabriel? Tu sabe que eu tenho que viajar amanhã cedo não sabe? Tu sabe que são 3 horas da manhã? Tem noção do que isso significa? - Respondeu seu pai antes que sua esposa pudesse falar qualquer coisa. Gabriel apenas chorava em silêncio agora se agarrando a sua mãe.

-Eu posso dormir com vocês? - Perguntou em meio a soluços. -Gabriel, tu já tens oito anos, já tá bem grandinho pra ficar com medo do escuro ou coisas desse tipo. Teu pai vai pegar um voo amanhã bem cedinho e ele precisa descansar.

- Mas mãe eu…
- Para de fazer manha, guri! -Interrompeu sua mãe e depois continuou.
- Vem, eu te levo até teu quarto, mas antes vamos tomar uma água pra acalmar os ânimos.
- Tu mima muito esse guri, daqui a pouco vai virar mais uma dessas bich… - O pai de Gabriel deixou-se interromper pelo olhar severo de censura de sua esposa. Era um homem velho e estupidamente conservador, as vezes ela se questionava quanto tempo suportaria esse casamento. Se ao menos não tivessem o garoto para se preocupar…

Ao chegarem no quarto Gabriel olha com relutância para a parede procurando aquele buraco que vira assim que subiu para o seu quarto sozinho para dormir e que o assustou tanto por conter um olho escancarado o encarando do outro lado. O mais assustador é que aquela era a parede que dava para rua, o que não fazia o menor sentido por que seu quarto ficava no andar de cima e não havia sacada naquele lado da casa.

Naquele momento em que ele entrou com a sua mãe não havia nada ali além da superfície lisa do papel de parede azul com temas espaciais que decoravam seu quarto de menino rico.
- E aí, onde tá o buraco que tu viu?

- Sumiu mãe! Tava bem ali, eu juro!
- A luz estava apagada, filho. A gente vive imaginando coisa sem pé nem cabeça quando está no escuro. É tudo ilusão nossa. Agora não incomoda o teu pai de novo, ok? Ou ele vai acabar te batendo de novo. - A mãe de Gabriel parou um pouco olhando para o nada, como se refletindo um pouco sobre a última frase e em seguida tentando afastar algum pensamento. Mandou ele ir para a cama e apagou a luz novamente antes de deixar Gabriel sozinho de novo em seu quarto.

Ele não conseguia dormir, ficava imaginando se aquele buraco haveria surgido de novo ou se aquele “bicho papão” o estava encarando da janela da rua desse vez. Ficava imaginando uma figura sem feições, apenas curiosa o admirando da janela com enormes olhos como se o seu medo atraísse sua atenção como uma espécie de entretenimento. Ele detestava quando sua mente pregava esse tipo de peça.

Isso era uma invenção de sua mente de criança, algo que escritores como Stephen King fazem para ganhar dinheiro. Apenas uma ideia que teve após um vislumbre de algo inexplicável o qual sua mente tenta justificar e encontrar respostas plausíveis para coisas que ele viu. “Já chega”, pensou ele. Abriu os olhos e virou a cabeça em direção a parede. Não havia nada lá, nem mesmo uma criatura medonha o admirando da janela.

Ele se sentiu momentaneamente aliviado, mas nem tanto. Ele sabia o que vira, ficou vários segundos olhando aquele buraco que estava esperando ele solitário em uma altura que dava bem aos seus olhos e percebendo que havia um olho de alguém lá dentro. “Tá me espiando”, pensamento que causa um arrepio em sua nuca só de lembrar. Seu alívio foi interrompido de repente.
-MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM

Esse gemido congelou sua espinha e fez seus ombros terem um súbito desejo de colar em seu pescoço. Vinha da parede do outro lado. Nada muito alto, mas dava para ouvir perfeitamente. Era um gemido abafado. “Por favor, não faz isso de novo. Por favor!", pensou Gabriel em choque.
-MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM

Ele não sabia o que fazer. Sabia o que ia acontecer se irritasse seu pai, não queria aquilo de novo. Além do mais, não queria estragar sua viagem pois isso o deixaria fora de casa por vários dias, com sorte até por mais de uma semana.

Tomou coragem e levantou. O buraco estava na altura de seus olhos novamente. Não era muito grande, não conseguiria passar sua mão, por exemplo. Era o tamanho ideal pra espiar e nada mais. Ao se aproximar pela primeira vez o olho o encarava desesperadamente.

Gabriel percebe que não se trata de uma criatura ou algo assim. É um olho castanho escuro normal dentro da parede. Não que isso tornasse a situação menos assustadora, mas sim mais intrigante. Tirando o fato que a parede onde o buraco estava agora dava para o corredor, ou seja, está dentro da sua casa agora.

Ele hesitou, mas andou até a porta e foi espiar o corredor que estava a meia luz, iluminado pela luz da sala que sempre deixavam acesa. Não havia ninguém ali. Com a cabeça já fora do quarto, Gabriel ficou tentado a descer as escadas e ficar na sala iluminada até amanhecer, mas lhe veio que talvez fosse isso que aquela coisa queria.

Ali ao menos estava no mesmo andar dos seus pais. Então lhe ocorreu que ele poderia cobrir a parede e dormir de luz acesa, embora com certeza sua mãe brigaria com ele caso visse seu quarto as claras, esse seria o menor de seus problemas.

Haveria de torcer para o buraco não trocar de lugar de novo. Bem devagar ele recua e fecha a porta do seu quarto, já pensando em usar seu baú de brinquedos na vertical para tampar aquela coisa. Mas ao se virar para parede a porta lá estava exatamente de frente para o seu rosto.
- MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM

Seu rosto estava perto dessa vez e, inexplicavelmente, sentiu vontade se se aproximar. Aquela parede dava para o banheiro e de repente uma imagem de seu pai sendo devorado vivo enquanto aliviava suas necessidades biológicas o causou um certo desconforto misturado com vontade de rir. Estava confuso, era como se esse pensamento não viesse dele.

Ao chegar mais perto ele percebe que o olho recuou, revelando um espaço pouco iluminado que em nada lembrava o seu banheiro, que a essa hora e com a porta fechada estaria em um profundo breu.
Mas não era o caso, parecia um cômodo diferente, feito de madeira. Ele chegou mais perto, sabia que não tinha mais volta. Não tinha como recuar agora e ignorar isso tudo. Hesitante, colou seu rosto na parede espiando o conteúdo do outro lado e rezando pra que aquele indivíduo do outro lado não aparecesse de repente ou furasse seu olho com algum objeto pontiagudo.

Nada disso aconteceu, mas com certeza preferiria ambas as opções se soubesse o que aconteceria. Sentiu tudo girar a sua volta, mas a imagem do cômodo pouco iluminado do outro lado continuava intacta. Ele não conseguia tirar o rosto da parede, era como se estivesse colado. Abriu seu olho esquerdo, o qual tinha ficado pra fora e não havia nada lá, e o pior é que ele não teve certeza se o que sumira tinha sido seu quarto ou seu próprio olho.

De repente o desespero tomou conta de sua mente que não conseguia processar mais nada. Sentiu uma língua tocar em sua orelha. Era fria e úmida, humana e ao mesmo tempo muito mais comprida que o normal.

Outras começaram a acompanhar e tocar suas mãos e pernas. Eram como cobras e vinham de todas as partes. Não conseguia sentir mais o chão, tinham-no erguido. De repente uma delas começou a se enrolar e pressionar seu abdômen com força enquanto outras estavam entrando em seus ouvidos e tirando sua audição completamente.

Era como se tivesse perdendo seu corpo por completo, mas sua visão do cômodo no olho direito estava intacta e perfeitamente nítida. Ele notou que à sua esquerda do cômodo tinha uma porta que se abriu. Uma menina entrou por ela e fechou. Usava uma pequena camisola.

Foi quando ela o encarou e começou a gritar que a compreensão do que estava acontecendo tomou conta de Gabriel em uma onda de pavor. Mas quando tentou falar algo ele percebeu que não tinha mais boca e sua única exclamação foi:
-MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM!

Reaja! Comente!
  1. Maricchan

    22 de novembro de 2015 em 12:36

    Muito bom!!!!!

  2. Geisi

    29 de outubro de 2015 em 13:01

  3. Jeff Dantas

    26 de outubro de 2015 em 22:06

    Ah gente, quem quiser, pode mandar matéria tb! ^^

  4. Gabriel Frigini

    26 de outubro de 2015 em 03:49

    como dorme sozinho agora?

    • Abarai RenJi

      26 de outubro de 2015 em 11:11

      olhe voce se chama Gabriel cuidado

  5. Jeff Dantas

    25 de outubro de 2015 em 20:47

    “De repente o desespero tomou conta de sua mente que não conseguia processar mais nada. Sentiu uma língua tocar em sua orelha. Era fria e úmida, humana e ao mesmo tempo muito mais comprida que o normal”… http://luadesangue.com/wp-content/uploads/2015/10/03d85cf1b56e6017518715bdfcaa17c3.jpg

9 Comentários
Topo