Lua de Sangue

Contos Minilua: Meu anjo #95

Pois é, e desde já, contamos com a sua participação! O e-mail? Jeff.gothic@gmail.com! A todos, uma excelente leitura!

Meu Anjo

Por: Valentinna Vasconcelos

Sempre adorei psicopatas, é fascinante o comportamento deles, a falta de piedade, a inteligência e a crueldade, a criatividade brutal e o jeito como suas ações parecem algo surreal. Desde cedo, sempre fui maravilhada por eles, o modo como agem à sangue frio e toda sua indiferença… Na época, esse fascínio não passava de um passatempo bem interessante, porém eu estava prestes a mudar isso…

Nunca fui uma pessoa de muitas amizades, principalmente por causa desses meus gostos. Uma pessoa somente que me acolheu e me quis como amiga. Devo agradecê-la, ela me mostrou que amizades verdadeiras existem, e me deu a maior prova disso: sua vida.

Estava esperando por esse dia havia meses, já estava tudo na minha cabeça, céus! Seria simplesmente perfeito! Fui uns dias antes na casa dela só para garantir que tudo estava certo e que seus pais já estavam de malas prontas para sua viagem e também para ver sua empolgação em ficar sozinha em casa.

Um dia antes mal consegui dormir de tanta ansiedade. Bom, tudo tinha que sair perfeito. Foi em uma noite de sábado, meus pais saíram para visitar uma amiga que acabara de perder o filho em um acidente bizarro, e fiquei sozinha em casa, o que foi ótimo, pois iria me polpar pequenas mentiras…

Esperei um tempo e saí. Peguei um ônibus que estava cheio de jovens fúteis se comportando como se a vida fosse sempre perfeita. Passados mais ou menos meia hora, cheguei a porta de minha amiga. Meu coração parecia que ia explodir, batia 10 vezes mais que o normal, fiz o melhor que pude para ignorá-lo. Pus minhas luvas e abri a mochila para conferir se todos os meus “brinquedinhos” estavam lá, se não havia esquecido algum deles.

Entrei pela janela de seu quarto, ela já estava pronta para dormir e se olhava no espelho. Com praticamente um pulo, agarrei-a por trás e pus formol em um pano para que ela desmaiasse. Nem consigo descrever com palavras meus sentimentos naquela noite! A amarrei facilmente pelos pés e pulsos na cabeceira da cama, cobri sua boca com um pano. Esperei-a acordar.

Quando finalmente acordou, fiz questão de fazer com que ela soubesse quem estava no controle de agora em diante. Dei-lhe um “boa noite” e comecei. Olhei por um tempo para aqueles olhos desesperados, cheios de medo e terror, queria ter certeza de que nunca me esqueceria deles…nunca…

Primeiramente cortei suas pálpebras e escutei gemidos de dor (o que aumentava ainda mais essa sensação prazerosa que sentia.), esperei um tempo e arranquei unha por unha, aquelas mesmas da qual ela tanto se orgulhava por serem bem feitas.

Ela estava reagindo bem a dor, só gemia e chorava.  Parei por um momento pois tive uma grande ideia.Comecei a cortar dedo por dedo do pé para depois fazer isso com os das mãos. Tive que parar, ela estava pra desmaiar novamente, não ia permitir que isso acontecesse, eu queria que ela visse tudo. 

Permaneci parada uns 15 minutos olhando aquele rosto cheio de medo, terror e agonia. Mesmo com a ansiedade sentida nos dias anteriores, estava calma, afinal, não deve se apressar a obra de um artista, não é mesmo? 

Continuei com sua pele, bonita e macia, não iria ser assim para sempre. Tive certeza de que ela ainda estava consciente e comecei a cortar profundamente a pele de seus braços deixando a carne e alguns ossos expostos, ela chorava tanto. 

Para terminar, virei-a de bruços e cortei a pele de suas costas. Saí da cama e fui até uma parede limpa de seu quarto (uma que não estava cheios de pôsteres de cantorezinhos famosos que ela tanto idolatrava ). Arrastei-a até essa parede, fui até a mochila e peguei um martelo e pregos que havia colocado lá dentro. De um jeito, consegui estender sua pele das costas em formato de asas. Soltei seus pulsos e os preguei na parede, o mesmo fiz com os pés. 

Por último, desamarrei sua boca. Ela estava quase perdendo a consciência pela dor que sentia. Cortei as extremidades de sua boca em forma de um sorriso e deixei que ela falasse uma última coisa antes de eu ir embora. Para minha surpresa ela simplesmente falou: “Pensei que éramos realmente amigas…” e então desmaiou. Sinceramente, pensei que ela iria me xingar ou falar vulgaridades. Acho que a morte e a dor realmente muda as pessoas… 

Bom, com essas últimas palavras, fui até o banheiro e lavei as luvas. Antes de sair, peguei a câmera e tirei fotos de minha obra para ter a plena certeza de que eu iria me lembrar disso para sempre. Saí da casa pela mesma janela. Chegando em casa tomei um banho e queimei tudo que poderia me incriminar. Joguei a faca e a tesoura num lixão próximo. Bem, digamos que estou ansiosa para a mãe dela voltar de viagem…

Katarina chega com seu marido em casa depois de duas semanas fora. Estava com saudades de sua querida filha. Então vai chamá-la, por não obter uma resposta, sobe as escadas, “Acho que ela está no quarto”, pensa.

Desde o corredor, Katarina vêm sentindo cheiro de algo podre, mas acha que foi o lixo que Emily esqueceu de colocar para fora. Ela entra no quarto da filha e olha horrorizada. O que vê é uma cena desesperadora e agonizante… Há sangue por todo quarto. Sua linda filha está pregada na parede com a boca cortada e olhos sem pálpebras.

A pele presa à parede em formato de asas. Sua filha está totalmente deformada. Ela é tomada pelo sentimento de desespero, agonia, tristeza e ódio…principalmente ódio. Sua filha, que nunca fizera algo de ruim para alguém. Sua filha, a quem lhe contava segredos, histórias e todos os fatos que aconteciam na faculdade.

Após lembrar de todas essas coisas, Katarina grita, entra em completo desespero, total agonia e desprezo pela pessoa que cruelmente assassinou sua linda filha. Seu marido sobe para ver o que está acontecendo e olha… Aquela cena… E entra em estado de choque. Katarina sai da porta e vai para perto de Emily, só aí percebe: do lado de sua filha está escrito com sangue “Não se pode parar a obra de um verdadeiro artista”…