Contos Minilua: A Maldição assassina #8

E para encerrar o mês, apresento um dos contos mais assustadores que já recebi. Uma ótima leitura!

                                                      A Maldição Assassina

Por: Carolzinha Ninja

                                                               Março, 1922.

Catherine subiu correndo as escadas do prédio, segurando a chave brilhante na mão. Entrou ansiosa no pequeno apartamento. Um sorriso iluminou seu rosto. O apartamento era pequeno, mas muito bem situado. O prédio mais novo da cidade. Pensou consigo mesma como os homens são manipuláveis… Todos os presentes que ela havia ganhado de seus amantes lhe proporcionaram uma vida confortável. Mas nunca imaginara ganhar um apartamento…

Porém, o que ela não sabia era que aquele foi um presente da esposa de seu novo amante. E estava carregado com uma terrível maldição…

Janeiro, 2012

Rafaela, com 18 anos acabara de se mudar da casa dos pais para cursar a universidade em uma cidade distante. Ansiava por morar sozinha em uma grande cidade, viver novas experiências…

A viagem foi longa. A noite caia cobrindo o pequeno apartamento com uma suave penumbra, apenas iluminado com a luz da cidade lá fora. Deixou as malas em um canto, resolveu tomar um banho e descansar. Porém, a primeira noite em seu novo apartamento não seria nada tranqüila.

Rafaela acordou, suada e assustada após um pesadelo terrível onde um ser completamente desfigurado a enforcava e depois cortava sua cabeça. Ela não deu importância ao sonho, não se impressionava facilmente. Não acreditava em nada sobrenatural. Porém, não acreditar não significa que está protegido…

Teve insônia depois do pesadelo. Eram apenas três horas da manhã, e ela resolvia ler um livro até que o sono voltasse, quando seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho de passos no apartamento. Rafaela saiu do quarto cautelosamente… Mas não havia ninguém. Todas as portas e janelas estavam trancadas. Seria impossível alguém entrar sem fazer um barulho maior. Voltou então para o quarto, sorrindo da idéia de que morava em um local assombrado. Esse sorriso não tardaria a sumir.

Com o passar das semanas, o pesadelo se repetiria toda noite. E toda noite ela acordaria suada, ofegante e cada vez mais intrigada. Logo, além dos passos, começou a ouvir sons, como se fossem batidas na madeira do chão. Em uma dessas noites, acordou curiosa e resolveu imitar as batidas com os dedos, batendo no lado da cama. Para sua surpresa, os sons que se seguiram copiavam os seus. Ela bateu uma, duas, três vezes seguidas. E suas batidas foram perfeitamente imitadas.

Acabou por começar a estabelecer uma espécie de comunicação com o que ela achava ser um espírito. Qual foi sua surpresa, quando até perguntas sobre sua vida pessoal, coisas que ninguém, se não a própria Rafaela sabia, foram respondidas com total exatidão. Mesmo assim, ela não ficou amedrontada. Ficou apenas surpresa, pelo fato de que seu apartamento era mesmo assombrado, como ela havia pensado anteriormente.

Na manhã seguinte, ao comentar com o porteiro os barulhos estranhos no apartamento, ele lhe olhou muito sério e disse: “Já faz cinco anos que eu trabalho aqui.”

E lhe disse que, quando começou a trabalhar naquele prédio, o antigo porteiro contou que uma moça havia sido assassinada por um demônio naquele apartamento, muitos anos atrás. De acordo com a história, seu corpo jazia, aos pedaços, no terreno ao lado. Desde então, a moça tenta avisar a todos que moram no apartamento para ir embora, na ocasião em que o ser perverso retorna para buscar outra vitima. Muitas pessoas que haviam morado ali simplesmente desapareceram. Ao perguntar se a polícia nunca foi acionada, o homem respondeu que sim, mas o que iriam fazer? Não acreditavam em lendas. Ela também não.

Porém, na noite seguinte, o que se passou iria assustar a corajosa garota. Ao acordar do seu sonho ruim, levantou-se para tomar um copo d’água. Ao passar por um espelho, no corredor, viu que seu pescoço estava marcado com hematomas, como se fossem as marcas de mãos. Lembrou-se imediatamente do pesadelo e voltou ofegante para a cama. Todo o chão começou a tremer, e sua cama balançava violentamente pelo quarto. Durante toda a noite, ouviu violentas batidas, e ela não pode dormir mais. Quando o fenômeno cessou e Rafaela pôde sair do quarto, ela estava disposta a ir para qualquer lugar longe dali. Ao passar novamente perto do espelho, estava escrito com sangue: “Vá embora”.

De repente, ela própria estava coberta de sangue. Saiu correndo pelos corredores do prédio, foi até a portaria, desorientada, sem saber pra onde ir. Pra onde correr, em uma cidade onde não conhecia ninguém? Só percebeu que estava chorando quando o porteiro do prédio se aproximou para saber o que estava acontecendo. Ia dizer o que houve, mas se lembrou da lenda. Disse que apenas tinha tido um pesadelo. Já estava mais calma, quando voltou ao apartamento acompanhada pelo homem. Porém, nada estava fora do lugar, não havia nada escrito no espelho e nem mesmo marcas em seu pescoço ou sangue. Havia sido apenas um sonho, tudo que aconteceu?

Rafaela não pôde mais dormir, até que descobrisse a verdade.

Mais tarde, naquele mesmo dia, ela fez uma pesquisa na Internet procurando alguma notícia de jornal sobre pessoas desaparecidas naquele local, mas nada encontrou. Passaram-se alguns dias, as aulas na universidade começaram e não houve tempo para continuar pesquisando o assunto. Porém, não conseguia dormir em seu apartamento, devido aos barulhos e à curiosidade de saber o que estava acontecendo. Deveria fazer uma ligação anônima para a polícia? E dizer o que? Que havia uma ossada humana enterrada em um terreno baldio ao lado? Não. Se for uma lenda, como o porteiro disse, não haveria nada lá.

Os barulhos estranhos não cessaram. Ao contrário, ficaram cada vez piores, ao ponto de ser insuportável permanecer na casa a noite. Rafaela chegou a comentar com uma colega da faculdade a respeito dos fenômenos. Esta, incrédula, quis ver por si mesma. Até mesmo perguntas mentais feitas pela garota foram respondidas com exatidão pelo “fantasma”, deixando-a espantada. Ela contou da lenda, mas a amiga nunca tinha ouvido falar, apesar de ser natural daquela cidade.

No dia seguinte, após a aula, Rafaela foi convidada por sua amiga para passar uns dias em sua casa. Combinaram de se encontrar dali à uma hora, para que ela pudesse buscar algumas coisas em seu apartamento. Mas a noite caiu e Rafaela não apareceu e nem mesmo atendia ao telefone.

Dois dias se passaram sem que a garota comparecesse às aulas e a amiga, preocupada, chamou a polícia. Contou toda história da lenda, das batidas pelo apartamento, do corpo enterrado aos pedaços no terreno vizinho. Rafaela foi dada como desaparecida.

A polícia, usando métodos avançados de análise da densidade do terreno, conseguiu encontrar não uma, mas várias ossadas. As análises mostraram que haviam sido enterradas com intervalos regulares, aproximadamente 10 anos. Foram feitas várias análises de DNA, pois os corpos foram esquartejados antes de serem enterrados. E eram muitos. Rafaela era um deles, a última vítima.

Sem suspeitos, sem arma do crime. Apenas uma pista: Enxofre. 

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