Contos Minilua: Inconcebível #84

Bem, e antes de prosseguirmos, apenas um conselho: Sempre que possível, coloquem um título para a obra ok? Um forte abraço a todos, e até a próxima! Ah, e-mail de participação: [email protected]




Inconcebível

Por: Vanessa Pollon

Ele estava caminhando para sua casa, como sempre fazia. O dia estava bonito, ensolarado, com crianças brincando na rua e donas de casa jogando conversa fora.

Era raro ele chegar tão cedo assim do trabalho, mas se o chefe libera mais cedo, tem que aproveitar.

Ficou imaginando como a esposa ficaria feliz em passar um tempo a mais com o marido, e como seria gostoso finalmente conseguir jogar basquete com o filho, coisa que há muito tempo marcava, mas não conseguia.

Colocou a chave na fechadura para abrir a porta. Mas algo estava errado. Estava tudo silencioso demais naquela casa. Cadê a mãe gritando com um filho que não para de correr?

Por um momento teve medo desse silêncio. Mas mesmo assim precisava entrar em casa.

Abriu a porta vagarosamente, e foi observando. Tudo estava no lugar, mas havia um cheiro estranho no ar…Um cheiro estranho, que não era agradável, e não conseguia identificar.

Abriu a porta e entrou. O silêncio continuava, apenas cortado pelos batimentos dele, que estavam cada vez mais fortes.

Foi seguindo o cheiro em direção ao quarto do filho. Os batimentos continuavam acelerados, e ele não tinha coragem de gritar o nome do filho ou da mulher, pois tinha medo de não ouvir resposta.

Abriu a porta, que estava encostada, e aqueles segundos parecerem uma eternidade. Quando começou a ver tudo banhado em sangue, o desespero começou a tomar conta de seu ser. Por um momento, travou. O medo de descobrir de quem era aquele sangue estava muito grande.

Finalmente, em um impulso, abriu a porta com tudo. Um grande alivio, pois lá havia um corpo, mas não era sua mulher nem seu filho.

E então surgiram as perguntas: quem era aquela pessoa? Quem a matou? Porque estava dentro de sua casa? Pensando nisso, escutou passos na escada, e decidiu se esconder, por uma reação incondicional de medo. Escutou vozes. Era sua mulher, sim, ele reconhecia a voz dela. Mas ela estava estranhamente calma. Será que ainda não tinha visto o corpo? Começou a prestar atenção ao que ela dizia:

- Então filho, temos que limpar tudo depois, pois o papai não sabe que a mamãe faz isso.

-E porque você não pode contar para ele mamãe?

- Filho, o papai não entenderia. Veja bem, meu pai me ensinou como reconhecer alguém de má índole, como matá-la, e como esconder todos os vestígios depois. Mas acho que o pai do papai não ensinou isso a ele, entendeu.

- Sim. E o que é isso mesmo?

- Água oxigenada. Serve para limparmos o sangue do seu quartinho. Da próxima vez, você dá a facada final tá filhote?

- Eba! Tá bom mamãe.

Isso era demais para a cabeça daquele pobre homem. Não havia como conceber que a esposa dele era uma assassina, e estava ensinando isso ao seu filho. Saiu de seu esconderijo, deixando a esposa bem surpresa. Ela estava com baldes e panos nas mãos. O silêncio entre eles foi perturbador. Até que ela quebrou o silêncio:

- Filho, seu pai é um menino mau também sabia? Ele faz coisas más quando não está conosco. Que tal darmos uma liçãozinha nele?

Então o marido percebeu que seria o próximo. E não podia acreditar nisso. Mas até entender o que estava acontecendo, a esposa já havia posto clorofórmio em seu rosto.

Pegue a faca filhinho. Agora é sua vez..

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