Contos Minilua: A ilha dos sonhos #81

Bom, e no especial de hoje, uma das histórias mais interessantes que já recebi. A todos, como sempre, uma excelente leitura. E-mail de participação: [email protected]




A Ilha dos Sonhos

Por: Paulo Mateus




Primeira Parte

Um raio de sol saiu de traz das nuvens e penetrou floresta adentro, outros raios de sol também começaram a fazer o mesmo. A luz rasgou a floresta desenhando sombras por todos os lados, algumas com linhas simples, fáceis de reconhecer que eram de uma árvore, e outras com linhas esqueléticas, lembrando as mãos frias de um cadáver.

Escondidos pelo tapete de folhas alguns insetos já começavam a zunir, anunciando o nascer do sol e ditando o início da trilha sonora da floresta. Entre as folhas no chão havia um corpo, inerte, pálido e aparentemente desprovido de vida, era uma mulher, ou uma menina, uma menina com toques de mulher.

Ela tinha um cabelo loiro comprido, cheio de folhas secas grudadas, um rosto sereno com traços jovens e suaves, lábios carnudos de dar inveja a qualquer garota, eles talvez fossem de um vermelho intenso, mas agora exibiam apenas um rosa fraco quase branco, uma cor sem vida.

A visão da copa das árvores era turva e embaçada, ela se esforçou para recuperar a visão e ter uma imagem nítida de onde estava, sua cabeça latejava, como se um martelo estivesse pregando um prego na sua cabeça.

Ela se apoiou com as mãos e se levantou do tapete de folhas, aturdida olhou para si própria de cima para baixo, usava uma blusa branca sem inscrições, um jeans rasgado em vários lugares e um All Star também branco meio sujo.

 forest

Ela vasculhou a mente em busca de lembranças, em busca de alguma coisa que a ajudasse a saber como viera parar ali no meio de uma floresta. Seu tom de pele estava voltando ao normal e seus lábios se encheram de vida com um tom vermelho intenso, combinando com os olhos azuis brilhantes.

Ela não se lembrava de nada do que acontecera, não conseguia se lembrar de nada, nem… Do seu próprio nome. Ela enfiou as mãos no bolso do jeans e encontrou um celular, ligou-o, a tela inicial exibia um papel de parede com o nome Verônica escrito num fundo branco. Seria aquele o seu nome?

Ela não se lembrava, ela foi para a lista telefônica que esta estava lotada de nomes, todos desconhecidos, uma lista enorme de pessoas que ela não conseguia se lembrar, seriam eles amigos ou apenas conhecidos, seus pais, qual daqueles nomes eram os de seus pais.

Não adiantava, era impossível lembrar, derrotada pelo celular ela guardou-o no bolso e saiu andando desajeitada pela mata. As árvores criavam um labirinto natural, uma linda e aterradora obra da natureza, a pior coisa em se perder em um lugar estranho é continuar se perdendo.

Ela sentia medo, pensou em correr, pensou em gritar, mas pensou também que talvez ninguém a ouvisse, mas mesmo se alguém a ouvisse e a resgatasse de lá, seria ela capaz de se lembrar quem era?

Seu olhar amedrontado fitou o céu por alguns instantes e encontrou um pássaro, uma gaivota, e a distração laçou o pássaro e amarrou a outra ponta em seu olhar, e ela foi andando, seguindo aquela ave de penas brancas que planava de forma serena, ela imaginou se de onde aquela gaivota veio haveria outras como ela, talvez também houvesse outras pessoas, talvez houvesse uma saída!

A distração tomou conta de seus passos e o som dos seus pés esmagando as folhas secas no chão já passava despercebido ao seu ouvido, um frio na barriga a acordou do transe e ela notou o passo em falso que havia dado.

O chão acabou, mas ela continuou, houve tempo apenas para fechar os olhos e rezar para não se machucar. Foi uma queda e tanto, algumas folhas ainda giravam no ar e logo caiam no solo, mas ela teve sorte, o solo era íngreme o suficiente para permitir uma queda sem grandes consequências, ela deslizou pelo barranco até cair de costas no chão, as folhas mais uma vez a ajudaram, mas não o suficiente para deixa-la totalmente ilesa, uma pontada de dor atacou suas costas, mas a adrenalina e o susto da queda logo amenizaram a dor.

Ela se levantou tirando a sujeira que grudara em seus jeans, um som familiar inundou seu ouvido, era um som agradável do qual ela tinha certeza de onde vinha, ela passou por alguns arbustos, e lá estava ele, o mar. As ondas se quebravam tão perto que uma delas quase tocou em seu All Star, ela ficou lá olhando para o horizonte vazio e sentindo a brisa do mar, ela tentou mais uma vez acessar seu catálogo de lembranças, mas frustrou-se, suas lembranças estavam inacessíveis, inexistentes naquele momento.

Isso não era possível, o que estava acontecendo? Ela se deixou atingir por uma pontada de tristeza e voltou os olhos para as ondas que se quebravam aos seus pés, um sorriso consolador se desenhou em seu rosto, ela precisava descobrir o que estava acontecendo.

Passos rápidos e abafados atravessavam a areia da praia em sua direção, ela percebeu a aproximação e se virou, um jovem de jeans e camisa azul escura corria em sua direção.

— O que você esta fazendo aqui, você precisa se esconder.
— Se esconder do que? – O Jovem agarrou sua mão e saiu em disparada levando-a com sigo.

— Quem é você? –Ela perguntou, assustada por um estranho à ter agarrado pela mão.
—Não há tempo pra isso, vamos!

Os dois atravessaram os arbustos ao pé da floresta e entraram em um túnel subterrâneo escuro, o brilho esvoaçante de seu cabelo loiro foi diminuindo a cada passo rumo a escuridão profunda e misteriosa.

O ar salgado do mar diminuía enquanto eles adentravam mais e mais no breu profundo do túnel, o chão era pedregoso e acidentado, o estranho que a guiava ditava o ritmo a passos rápidos, ela se esforçava para não tropeçar e cair.

Eles finalmente pararam e quatro batidas metálicas ecoaram pelas paredes do túnel, o som de engrenagens se movendo ecoou pelo túnel e logo depois um estalo seco, algo se abriu. Uma porta metálica se abriu diante deles e uma luz intensa os libertou do breu profundo. Um homem de chapéu de couro segurava a porta.

Eles passaram e o homem de chapéu lançou um olhar misterioso para ela, ela adicionou isso à lista de coisas das quais precisava pensar e analisar. Quando seus olhos se fixaram no que estava à frente ela realmente se surpreendeu. Uma vila – ou quase isso – se estendia por uma enorme área abaixo da floresta, havia casebres de madeira e os moradores tinham um semblante frio e assustado, o estranho soltou sua mão e desapareceu, um homem de barba branca a recebeu com um doce sorriso.

—Seja bem vinda Verônica, vejo que descobriu nosso esconderijo.
—Como você sabe o meu nome? – Indagou Verônica, ainda com duvidas sobre o próprio nome.

—Eu sei muitas coisas. – O velho a guiou por entre alguns casebres e a levou até um mais isolado feito não apenas de madeira, mas também de algumas partes de metal. O velho se apoiou na bengala e se sentou nos degraus que davam acesso ao piso de madeira.

—Que lugar é este? - Perguntou Verônica, admirando as bolhas de luz que pairavam junto às raízes de algumas árvores e iluminavam a pequena vila.
—Este é um refúgio, um lugar seguro que os sobreviventes encontraram para se esconder depois da tragédia que aconteceu no castelo de Klaus… – Ela interrompeu.

—Tragédia? O que aconteceu? E eu? Porque eu não me lembro de nada… – Ela sentia que as coisas começariam a fazer algum sentido e quem sabe ela se lembrasse de alguma coisa.
—Estas pessoas – ele começou – estão presas nessa ilha pela vontade de Klaus Black, Klaus é um gênio da tecnologia que ao ser expulso da própria empresa que ajudou a fundar caiu em depressão, em uma noite chuvosa, abalado pela situação financeira em que estava e pelos pensamentos suicidas que se instalaram em sua mente ele se jogou de uma ponte, mas algo o salvou, algo sobrenatural evitou sua queda, um homem com poderes sobre humanos evitou sua morte certa.

Deste dia em diante Klaus e ele se tornaram amigos, eles fundaram outra empresa do ramo tecnológico, mas isso não era o bastante, ele ficou fascinado pelos poderes de seu amigo e com sua ajuda descobriu outros com dons sobrenaturais.

Tudo ia bem até que um dia ele acorda numa cama de hospital, e começa a falar de teorias sobre futuro da humanidade, sobre como os portadores destes dons iriam dominar o mundo, o acidente de carro que o levou até o hospital levou-o também a insanidade.

Depois de ter alta do hospital Klaus pegou todas as suas economias e sumiu. Ninguém nunca mais o viu, até agora.
—Mas o que são esses dons? – Indagou Verônica.

—Veja você mesma. – O velho apontou a bengala para um lugar menos iluminado do teto e a meneou por alguns instantes, para a surpresa de Verônica a ponta da bengala começou a brilhar e outra bolha de luz surgiu no teto, revelando mais algumas raízes oriundas do mundo da superfície.

—Mas como… Como você fez isso, como isso é possível?! – Indagou estarrecida com o que viu.
—Como, não sabemos ao certo, apenas conseguimos realizar e aprimorar tais habilidades, - o velho acariciou a alva barba e apontou para um grupo de jovens que conversavam ao lado de um dos casebres – você está vendo aqueles garotos – Verônica fez que sim com a cabeça – cada um deles tem um dom diferente, um é capaz de controlar o elemento fogo, outro controla as sombras e aquele de camisa azul domina a eletricidade.

Dons diferentes, mas histórias parecidas.

—Mas como essas pessoas vieram parar aqui? – Perguntou Verônica olhando para os rostos pálidos que passavam.
—Klaus trouxe todas elas, ninguém se lembra direito como aconteceu, todos acordaram aqui, assim como você. – O velho agora admirava as bolhas de luz que brilhavam intensamente.

—Mas porque eu não me lembro de nada antes de acordar? – Verônica fitou o rosto do velho.
—Alguma coisa deve ter acontecido com você quando chegou à ilha, talvez você tenha caído e batido a cabeça, ou talvez Klaus esteja por traz disso. Mas o que importa agora é que estamos seguros.

—Mas porque ele esta fazendo isso? Não fizemos nada de errado. – Ponderou Verônica.
—O que nós fizemos não importa o que importa é o que nós podemos fazer. – O velho se levantou apoiando-se na bengala – Venha, vamos dar uma volta.

Os dois se levantaram e caminharam por entre os casebres, Verônica olhava temerosa para o rosto das pessoas, ela passou por um grupo de crianças que se divertiam com seus dons, levitando coisas ou tornando-as maiores, passou também por uma jovem de braços cruzados encostada numa coluna de madeira, ela tinha o cabelo tingido de vermelho com as pontas loiras, maquiagem escura e um olhar frio, ela levantou a cabeça e lançou um olhar furioso e sinistro com seus olhos verdes radiantes, Verônica sentiu um arrepio na espinha e desviou o olhar.

O velho parou de repente, e olhou para a frágil criatura que estava ao seu lado, ela estava assustada e confusa. Ele bateu a bengala de madeira no chão de terra batida e uma névoa branca os envolveu, a intensa névoa durou apenas alguns segundos e logo se dissipou, e o esplendor da floresta se fez visível, o chão estava inundado de folhas secas e poucos raios de sol atravessavam a densa folhagem das árvores.

Verônica estava de volta a floresta, mas não onde acordara, estava ela em uma área mais densa e fechada onde os gritos de alguns animais anunciavam que estavam por perto.

— A vida é algo muito delicado e frágil – disse o velho – ela pode nos surpreender até nos momentos mais previsíveis. Apenas Deus pode decidir quando começa e acaba, e você é a única capaz de interferir nas regras divinas. – Finalizou o velho, sentindo os olhos da jovem o fitarem enquanto ele observava imóvel as árvores à frente.

—O que você quer dizer com isso? – Perguntou Verônica.
—Que você possui o maior de todos os dons, – o velho se virou e fitou a jovem – o dom da vida. Você é a única capaz de interferir no curso da vida.
—Mas como? Como é possível interferir na linha da vida? – Indagou a loira.
—Toque aquela árvore. – O velho apontou com a bengala uma árvore a frente. – Agora imagine-se extraindo dela toda sua força vital.

Ela sentiu um formigamento na mão e viu que algumas folhas começavam a cair, a árvore foi perdendo a vitalidade e aos poucos ela se transformou em algo esquelético e sem vida.
Assustada com o que acabou de fazer ela deu alguns passos para traz girou os calcanhares e fitou o velho.

— Não se assuste minha jovem – disse o velho – você ainda tem muito a aprender.

Ela olhou para as próprias mãos, ainda digerindo o fato de possuir tais poderes. O velho ao seu lado bradou algo inesperado:
—Verônica! Corre!

Ela lançou para ele aquele olhar de como quem pergunta: “pra que?”. Um zumbido surgiu de repente do alto e um gigante metálico pousou abruptamente esmagando algumas árvores, o gigante aparentava ter mais ou menos três metros de altura, a cor prata era dominante em grande parte, exceto por duas listras pretas verticais que subiam do peito até a cabeça do robô, dando a ele um adornamento maligno.

O impacto do gigante com o solo derrubou-a, e a partir deste instante as palavras do velho começaram a fazer sentido. Verônica levantou-se com destreza e saiu em disparada, mas ao notar que seu amigo ficara para traz ela parou bruscamente.

Ao virar os olhos para ele Verônica viu que ambos estavam batalhando, o gigante metálico atacava ferozmente com suas armas tecnológicas, enquanto o velho se defendia corajosamente com seus poderes ainda inexplicáveis.

Ele disparou um laser de energia com sua bengala e o gigante de metal se protegeu com o braço, revidando em seguida com uma série de disparos de laser. Um escudo de energia transparente surgiu em volta do velho, aparentava ser forte o suficiente para conter os ataques, mas quando o monstro de aço revelou uma nova arma mais poderosa surgindo no lugar de sua mão o escudo não resistiu e o velho caiu derrotado sobre o tapete de folhas.

O gigante de aço se aproximava a passos lentos, e o velho, ferido, não conseguia se levantar. Uma onda de desespero e medo tomou conta de Verônica, a cada passo do monstro de aço uma pontada de medo a atingia.

O amigo que conhecera a pouco estava ferido e prestes a morrer, o gigante já se preparava para atacar quando um estrondo atravessou a floresta, um segundo depois uma enorme pedra com centenas de quilos atropelou o gigante de aço. Verônica correu para socorrer o velho, para seu alivio ele estava bem.




Parte II

— O que era aquilo? – Perguntou Verônica enquanto seguia os passos do velho floresta adentro. –
— Era um caçador – respondeu o velho, enquanto usava a bengala para afastar alguns galhos do seu caminho – enviado por klaus para capturar os fugitivos.

Verônica pensou em como ele aparecera de surpresa, provavelmente havia outros como aquele, talvez estivessem à espreita, analisando todos os seus movimentos e calculando a melhor forma de executá-la. O velho parou de repente, ergueu a bengala e afastou mais um galho, a forte luz do sol encheu a visão dos dois e ambos chegaram a uma clareira.

— Precisamos voltar – disse em tom sério o velho, batendo a bengala no chão – você foi bem em sua primeira lição.

A intensa névoa reapareceu e os envolveu, segundos depois eles pisavam novamente em terra batida. – Estavam de volta de onde partiram – Mas algo estava errado, as pessoas desapareceram, e a maioria dos casebres havia sido destruída.

O velho se esforçou para andar mais depressa e Verônica assistia a tudo horrorizada, ela olhou para os pedaços de madeira em chamas e se lembrou das pessoas que estavam ali, mas agora era apenas destruição para todos os lados.

— Onde estão todos? – Verônica tomou à dianteira e correu para um casebre parcialmente destruído. Ela ouviu alguém chorando, deu a volta nos destroços e encontrou a origem do choro.

A garota que avistara anteriormente, de cabelo vermelho e maquiagem escura, estava abraçada aos joelhos e chorando. Ela se abaixou para ajudar a garota, ela levantou a cabeça para ver quem estava ao seu lado, Verônica sentiu-se impotente ao fitar o semblante triste da jovem, ela partiu os lábios para dizer alguma coisa, mas foi interrompida.

—Eles nos encontraram… – Falou a jovem com a voz entrecortada por choros e soluços – Destruíram tudo… E nos capturaram.

—Essa hora chegaria – disse o velho surgindo ao lado das duas – ele é muito esperto, ele conseguiu… – Interrompeu, olhando para a destruição – De novo…
—O que você esta querendo dizer? – perguntou Verônica.
—Klaus, capturou todos mais uma vez.

Verônica ajudou a garota a se levantar enquanto enxugava as lágrimas na manga da blusa.

—Você não ainda não sabe de todos os detalhes. – Disse o velho com um olhar distante e tristonho – Há pouco tempo ele nos capturou e nos usou em suas experiências macabras. “Cobaias”, ele nos chamava assim. Fomos trancafiados em celas, das quais nossos poderes eram anulados.

A garota de cabelo vermelho fitou o velho, com a expressão de que já conhecia a história.

—Mas um dia alguém apareceu no manto da noite – continuou ele – e nos libertou, ele tinha punhos de aço e força fora do comum. Deu-se início a uma grande confusão, os caçadores tentaram conter os prisioneiros, mas eles eram fortes demais fora das celas.

Alguns caíram incluindo o nosso salvador, mas a maioria fugiu para a floresta. Klaus ordenou que os caçadores fossem a nossa procura floresta adentro. Eles eram rápidos, inteligentes e em grande número… Máquinas. Elas nos acharam, e mataram quem estava pela frente. Os gritos de dor quebraram o silêncio daquela noite, mas muitos sobreviveram. E o resto da história você conhece.

dark forest

O velho fitou por alguns instantes o cajado em suas mãos, e disse, em tom decidido:

—Vamos! lutar.
—Como? – Magaly, a jovem de cabelo vermelho esclareceu os fatos - Somos apenas três, e klaus mantém um exército de caçadores nos arredores do castelo.
—Ela tem razão – disse Verônica – não temos chance, seremos mortos.
—Eu, você e Magaly somos fortes o suficiente para tentar, se ficarmos aqui seremos encontrados e capturados. – Disse o velho, analisando as expressões de Verônica e Magaly.

—Creio que ainda não sabe o meu nome, minha jovem. - Disse o velho, concentrando o olhar em Verônica – Eu sou Silas, o feiticeiro.

“Feiticeiro”! Para Verônica essa palavra explicava tudo o que sabia sobre aquele velho. Ela começou a entender os fatos, as pessoas, os poderes e toda a situação, mas muito sobre ela mesma ainda continuava sendo um vazio escuro.




Parte III

pôr-do-sol

Eram aproximadamente 5:30 da tarde, o crepúsculo dava ao céu uma cor alaranjada e a brisa do mar soprava levemente floresta à dentro. O feiticeiro os levou para uma área do outro lado da ilha, eles caminhavam a passos rápidos, passando por infinitas árvores entre elas enormes sequoias.

—Para onde estamos indo? – Perguntou Verônica.
—Para o castelo, se tivermos sorte chegaremos lá antes do anoitecer. – Respondeu Silas, o feiticeiro, que guiava o grupo por entre as árvores, Verônica vinha logo atrás desviando dos galhos e troncos caídos, e depois vinha Magaly com seus cabelos vermelhos esvoaçantes.

Silas meneou seu cajado de um lado para o outro para afastar alguns galhos, Verônica percebeu que a relva começava a ficar mais intensa e então, como se ela tivesse acabado de acordar de um sonho, as árvores acabaram e um rio de luz inundou os seus olhos.

—O castelo, lá esta ele – disse Magaly, apontando para uma imensa construção de pedras bem ao estilo medieval.
—É enorme. – Sussurrou Verônica.
—É, é sim, - disse o feiticeiro com sua voz grave e profunda – mas não se iluda, ele não foi feito para ser admirado.

O castelo ficava em um enorme campo aberto, mas a grama era tão alta que chegava a roçar os joelhos dos passantes. Apenas algumas centenas de metros separavam os três aventureiros da fortaleza de pedra, mas eles seguiam em frente, já esperando pelo perigo.

Zunidos de insetos soavam por toda parte, e Verônica sentiu um medo crescendo dentro dela, em parte era por causa do que estavam prestes a fazer, mas o medo maior era o medo do que ela não sabia, tudo era muito novo para ela.

Eles finalmente chegaram ao castelo depois de caminharem por uma extensa área de grama alta e densa. Eles estavam aos pés de um pequeno lance de escadas, ao leste os últimos raios de sol iluminavam as seis torres abobadadas do castelo.

—Magaly – Disse o feiticeiro após subirem o lance de escadas – use o seu dom, faça uma passagem. – Finalizou referindo-se as altas e pesadas portas de madeira do castelo.

Ela deu alguns passos à frente e tocou com as mãos a madeira das pesadas portas, suas mãos ganharam um tom de vermelho intenso que em seguida se espalhou por toda a extensão da madeira, o brilho vermelho ficou mais forte e então tudo se transformou em cinzas, restando apenas as enormes fechaduras douradas e uma pequena chuva de cinzas. Verônica ficou impressionada com o que acabara de ver, as pesadas portas de madeira simplesmente se incineraram com um toque de mãos.

—Qual é o seu d…
—Fogo. – Magaly respondeu antes que ela terminasse a pergunta.

Eles entraram na fortaleza com os olhares atentos, e embora estivesse com medo do que pudesse acontecer. A jovem de olhos azuis se surpreendia cada vez mais com o castelo.

Imponente por fora e delicado por dentro, lustres belíssimos pendiam do teto, e nas janelas cortinas vermelhas ajudavam a filtrar a luz que vinha de fora. A sala central era mais fascinante a cada passo que davam.

O feiticeiro parou por um momento, as duas atrás apenas observaram, e então ele disse:

—Temos que subir, os prisioneiros estão na primeira torre à direita.

Um lance de escadas se iniciava rente a uma parede à direita e subia se apoiando em outra até virar em zigue-zague. Eles evitaram o elevador ao lado das escadas, pois poderiam acabar chamando a atenção.

Vencer os degraus de pedra maciça não era nada comparado ao que poderia acontecer, mas era uma longa subida. Ao chegarem em um determinado ponto a escada em zigue-zague acabava para dar inicio a uma subida em círculos até o alto da torre.

Enquanto subiam Verônica notou várias portas com o nome “oficina”, e imaginou que ali era onde fabricavam os caçadores. O som de uma porta se fechando violentamente fez todos pararem abruptamente em seus lugares. Ecos metálicos anunciavam que algo estava descendo as escadas.

—Um caçador – disse o feiticeiro, olhando para cima por entre as escadas, para ver se avistava o inimigo – preparem-se.

O coração de Verônica disparou, ela não sabia o que fazer, e se os seus poderes falhassem? E se a vida de todos depende-se dela? Ela seria capaz de fazer alguma coisa para salvá-los? Ela não conseguia parar de pensar no que poderia acontecer.

Os passos metálicos cessaram, um silêncio amedrontador surgiu no ar, todos ficaram tensos, e Verônica se perguntou se os outros poderiam ouvir os seus batimentos cardíacos de tão nervosa que estava.

Um zunido alto deixou todos em alerta, e de repente algo surge voando entre as escadas e parando no ar bem ao lado deles. Um caçador em forma humana, exibindo as mesmas cores do que ela vira na floresta anteriormente, prata com duas listras pretas que subiam até a cabeça.

Ele tinha um olhar robótico penetrante, as luzes vermelhas que ocupavam o lugar dos olhos pareceram mais intensas por um instante, e ele agiu. Em um movimento rápido e calculado ele agarrou o feiticeiro pelo pescoço, puxando-o para fora das escadas e deixando-o dependurado a dezenas de metros do chão.

Enquanto o feiticeiro se debatia, preso pelas fortíssimas garras do caçador, Verônica e Magaly assistiam a tudo impotentes e com medo, já que não podiam usar seus poderes, pois poderiam acabar ferindo-o.

O caçador olhava fixamente para a sua vitima que respirava com dificuldade em busca de ar, ele o segurava com uma das mãos, a outra estava posicionada frente à barriga do feiticeiro fechada em um punho. Ele se debatia e soltava grunhidos de dor enquanto a mão livre do caçador transmutava-se em uma arma mortal.

Ele buscou suas últimas forças e apertou forte o cajado, um brilho cintilante surgiu em volta dos dois e depois nada. Eles simplesmente desapareceram. Verônica e Magaly se entreolharam, estavam por contra própria até que ele retornasse, se retornasse.

—Aonde acha que ele foi? – Indagou Verônica.
—Não sei, para a floresta talvez.

Não muito longe do castelo o feiticeiro e o caçador se materializaram no ar e despencaram no chão coberto de folhas, Silas rolou pelo chão até bater em uma árvore. Ele estava bem, mas a visão era turva, aos seus olhos o caçador se aproximava lentamente como um borrão cinza.

Ele transmutou sua mão em uma lâmina de fio afiadíssimo e partiu para o assalto, as grandes asas atrás das costas lembravam asas de insetos, elas bateram velozmente e o caçador alçou um voo rasante sob o tapete de folhas em direção ao feiticeiro caído ao pé da árvore. Ele cortou o vento numa velocidade incrível, mas no momento em que lançou a lâmina contra o feiticeiro chocou-se violentamente contra a árvore.

O feiticeiro surgiu a poucos metros dali apoiando-se em seu cajado para recuperar o equilíbrio, ele viu o caçador levantar-se lentamente com a asa esquerda destroçada e o ombro ligeiramente danificado. Ele recompôs-se, parecia disposto a lutar até o fim, sendo uma máquina seria mesmo capaz.

Ambos se fuzilaram com os olhos, e o caçador avançou, correndo velozmente sob o tapete de folhas. Rapidamente ele venceu quase toda a distância até o feiticeiro, mas antes que ele pudesse tentar qualquer coisa Silas mirou o cajado no peito da máquina disparando uma forte rajada de energia, o caçador passou a direita dele já sem qualquer consciência e se espatifou no chão.




Parte IV

Quando as duas finalmente chegaram ao topo elas se depararam com uma enorme porta de aço super-resistente, Magaly usou seus poderes para derreter a fechadura, e elas entraram. No alto da torre estavam às celas com os prisioneiros, todos com semblantes abatidos e exaustos.

O lugar era enorme, o topo cilíndrico da torre se revelou maior do que ela imaginara. As celas – ou jaulas, melhor dizendo – estavam espalhadas ao redor das paredes e as outras dispostas aleatoriamente pelo piso de concreto.

—Parece que estão todos aqui.
—Sim, mas o que faremos agora? – Indagou a loira.
—Vamos abrir as celas, depois pensamos num jeito de tira-los daqui.

As duas se apressaram em libertar os prisioneiros, Magaly derretia os cadeados facilmente com seus poderes, e Verônica os fazia enferrujar até virarem pó em poucos instantes com um simples toque.

Todos os prisioneiros foram finalmente soltos, muitos se abraçavam outros apenas sorriam, felizes por provarem de novo o gosto da liberdade.

—Ora, ora, ora… – Uma voz surgiu atrás das celas dispostas perto da porta de entrada, todos se aquietaram e olharam para a mesma direção.

Um homem, alto forte e de meia idade surgiu diante deles.

—Veja o que temos aqui… – Ele fez uma pausa enquanto andava a passos lentos na direção do grupo – Verônica, que prazer em vê-la. – Ele caminhava e passava os dedos pelas grades das celas, a loira o fitou, e ele forçou um sorriso.

Klaus trajava calças pretas e uma camisa social azul marinho discretamente desabotoado, ele podia sentir todos aqueles olhares o fuzilando, mas isso não o perturbava nem um pouco, pois estava confiante do que era capaz.

—Acharam mesmo que seria tão fácil assim entrar aqui e libertar todos os prisioneiros? Verônica sentiu um frio na espinha, mas não tirou os olhos dele, sua companheira ao lado fazia o mesmo.

—Vejo que vosso líder foi apanhado, - ele mostrou um sorriso cínico – já deve estar morto há essa hora, os caçadores são implacáveis.

—Você vai perecer – vociferou a jovem de cabelos vermelhos – não tem chance contra todos nós. E como pode ver suas prisões não detém mais nossos poderes.
—Creio que esteja errada, os seus… Poderes… Não serão fortes o suficiente para saírem vivos daqui.

Ele segurou uma das grades com a mão e em poucos segundos ela se transformou um uma barra de gelo, todos ficaram perplexos com o que viram, até onde sabiam Klaus Black nunca possuiu poder algum, mas eles logo perceberam o que estava se passando.

Klaus deu um jeito de roubar os poderes deles e colocá-los em si próprio. Entre os fugitivos estava um jovem de jaqueta surrada, que possuía os mesmos poderes que ele acabara de demonstrar. Ele se irritou ao ver Klaus exibindo seus poderes, e rapidamente suas mãos ficaram pálidas e cheias de cristais de gelo.

—Agora que as suas duas amigas mais poderosas acabaram de chegar – ele fitou Verônica e Magaly, que estavam à direita do grupo – creio que já podem voltar pro lugar de onde nunca deveriam ter saído! – Ele começou a criar entre suas mãos uma enorme bola de gelo que crescia muito rápido, e atrás dele vários caçadores entravam correndo pela porta e começavam a cercar os fugitivos.

Ele criou uma imensa bola de gelo maciço, ele a ergueu sob a cabeça e depois arremessou contra os fugitivos, quando ela estava prestes a atingi-los ela simplesmente explodiu, deixando uma nuvem de fumaça branca e cristais de gelo pontiagudos que voaram para todos os lados.

A nuvem de fumaça e vapor foi se dissipando pouco a pouco, e Silas o feiticeiro estava lá, envolto por pequenas nuvens brancas. Na mão direita ele segurava o cajado, que usava para se apoiar, e na esquerda um troféu, a cabeça de aço do caçador que o atacou.

Silas deu alguns passos na direção do inimigo com certa dificuldade, sempre se apoiando no cajado para manter o equilíbrio. A luta com o caçador o deixou um pouco debilitado, mas nada que o impedisse de seguir em frente.
Ele estacou a poucos metros de Klaus, fitou o seu olhar incrédulo por vê-lo vivo ali na sua frente, e jogou a cabeça de lata aos seus pés.

—Parece surpreso em me ver. – Disse sorrindo.
—Era para ele ter acabado com você, ele era um dos melhores.
—Mas como pode ver estou aqui, para acabar de vez com as suas brincadeiras. – Girou os calcanhares e voltou para junto do grupo – Devia ter te deixado morrer naquele dia – ele fitou o chão com um olhar triste e disse algo quase inaudível: Talvez assim muitos de nós ainda estariam vivos.
—Você não me deixa outra opção amigo – suas mãos começaram a brilhar – que seja então.

Ele lançou a energia acumulada em suas mãos no chão, e instantaneamente surgiram rochas de gelo varrendo tudo a sua frente. Verônica foi arremessada violentamente para a direita, caindo de mau jeito e esfolando o cotovelo e o antebraço, Silas e Magaly estavam fora do seu campo de visão.

Uma coluna de fogo se ergueu acima de todos, e depois mergulhou como uma onda no chão, derretendo o gelo e chamuscando as celas. Magaly surgiu no centro da batalha, com as suas mãos esticadas e lançando delas uma coluna de fogo na direção do inimigo, que se defendia com outra coluna, de gelo.

O encontro das forças produzia uma intensa nuvem de vapor que se espalhou por todo o local. Um dos garotos do grupo atirou um pulso de energia na parede, abrindo uma enorme fenda por onde pretendia fugir, mas os caçadores entraram em ação.

Uma enorme confusão se formou, com Klaus e Magaly lutando de um lado e os caçadores e os fugitivos brigando do outro.

—Verônica! – Gritou a garota dos cabelos de fogo – as mãos dele.
—Entendi. – Respondeu acenando com a cabeça.

Ela fixou os olhos nas mãos dele e se concentrou, um instante depois laços de cipó brotaram do chão e prenderam as mãos dele. Impossibilitado de revidar o assalto ele apenas assistiu a onda de fogo avançar sobre si.

O ataque cessou, e as duas fitaram o vazio. A batalha continuava por todos os lados, com os caçadores e os fugitivos desferindo golpes ferozmente uns contra os outros.

O feiticeiro estava digladiando com três caçadores, e estava levando vantagem, se esquivando rapidamente e lançando ataques certeiros.

Klaus desaparecera e as duas estavam atentas, ele teria que aparecer em algum momento para ajudar as suas máquinas na peleja.

O feiticeiro se livrou dos caçadores que o assaltavam, e com seu cajado lançou um portal além da fenda na parede.

—Vocês duas! – Ele gritou para Verônica e Magaly, que agora mediam forças com os caçadores – deem cobertura! Mantenham o portal aberto!

As duas liquidaram os caçadores que as atacavam e partiram para cima dos outros que estavam próximos do portal. E então ele surgiu novamente, como num passe de mágica ele apareceu à frente do portal, Klaus parecia nervoso com o rumo da batalha, ele partiu para cima dos garotos lançando afiados cristais de gelo.

Alguns conseguiram se defender com seus poderes, mas outros foram feridos e caíram no chão sangrando. A garota dos cabelos de fogo protegeu a loira do assalto mortal do inimigo, Silas estava perto e lançou atrás do inimigo outro portal.

—Magaly! Agora! – Ele bradou.

Ela entendeu o recado e Verônica também, a loira lançou em Klaus um emaranhado de cipós que o prenderam fortemente, e Magaly lançou a mais poderosa rajada de fogo que conseguiu produzir. Preso e sem poder se mexer ele não pode revidar, e a rajada de fogo o atirou para dentro do portal.




Parte final

Um a um os caçadores foram sendo derrotados, quando a batalha acabou o que se via eram pedaços de metal e destruição pra todo lado. Eles correram para o portal, carregando aqueles que estavam feridos e fugiram da fortaleza de Klaus.

Silas foi o último a deixar o local, antes de pular para o portal ele olhou por cima do ombro e viu que mais caçadores entravam pela porta, mas já era tarde de mais.

Outro portal se abriu na pequena vila destruída e eles desembarcaram, os feridos gemiam agonizados de dor, mas rapidamente eles foram amparados por um dos garotos que possuía o dom da cura. Verônica caminhou devagar pelos escombros da vila, ainda tentando entender como tudo aquilo era possível, e porque não conseguia se lembrar de nada.

As bolhas de energia ainda brilhavam forte lá no alto, e ela sentiu uma sensação lhe percorrer o corpo, ela olhou para traz e viu todas aquelas pessoas que ajudou a salvar e que agora se ajudavam.

Ela fitou o chão por alguns segundos e viu uma flor crescer bem aos seus pés. Ela não sabia que flor era aquela, mas estava feliz por não ter que usar os seus poderes para se defender do mal, por enquanto.

—Ainda tentando entender? – Silas apareceu ao seu lado.
—Sim, mas acho que algumas coisas eu nunca vou entender.
—Você está certa, algumas coisas nós nunca vamos conseguir entender. – Ele passou a mão em sua alva barba branca e depois fitou os casebres destruídos.

—Cumprimos nossa missão hoje, Klaus foi derrotado, - ele fitou as bolhas de energia – mas ainda à caçadores na floresta, maiores e mais ferozes.

Ela ia abrir a boca para dizer algo mas um chamado a deteve.

—Feiticeiro! – Um homem de camisa cinza acenou distante – Venha aqui, precisamos de ajuda!

O feiticeiro deixou a loira e seus pensamentos e foi ver o que havia acontecido. Verônica sentiu o braço arder e se lembrou do machucado, agora, olhando mais atentamente constatou que não era nada de grave.

A bolha de energia acima de sua cabeça pareceu ter ficado maior, por um instante pensou que fosse apenas sua imaginação, mas depois percebeu que ela estava realmente crescendo, e rápido. A bolha de luz se tornou enorme e ela começou a correr, mas não adiantou, a bolha a engoliu e depois explodiu.

Apenas luz. Ela estava presa, cercada de luz por todos os lados. Então seus olhos se abriram e ela despertou. Verônica acordou em sua cama, com o sol atravessando a janela e batendo em seu rosto. Ela apoiou-se na cama com as mãos e se sentou no colchão. Era tudo um sonho, toda aquela aventura era apenas um sonho.

Ela se lembrou dos amigos e dos seus pais, e sorriu feliz por não estar naquele lugar e não se lembrar de nada. Mas estão uma centelha de saudade a atingiu, “foi tão real, e incrível” ela pensou.

Ela saiu de debaixo das cobertas e caminhou até o banheiro, vestindo seu velho pijama azul claro. Ela ainda não havia notado, mas o seu cotovelo e antebraço estavam esfolados. E em cima da sua escrivaninha estava o livro que lera ontem à noite, era velho e grande, um achado no porão da casa do seu avô. “A ilha dos sonhos” lia-se no título.

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  1. Luana Carvalho

    21 de abril de 2013 em 12:42

    é simplismente perfeito *=* eu ja li um livro de 400 paginas em 3 dias,entao nao tive poblemas para ler esse texto

  2. Evelyn Souza

    29 de março de 2013 em 13:28

    hihi eu gostei apesar de ser extenso!

  3. lucas rodrigues

    28 de março de 2013 em 07:13

    Não vi nada de assustador nesse conto, mesmo assim achei mediano. Nota 6,0

  4. Deus

    18 de março de 2013 em 22:10

    É bom!

    Mas me explica porque esta em ” assustador”!
    • Evelyn Souza

      29 de março de 2013 em 13:29

      realmente de assustador n tem nada ;//

      • doctor

        11 de maio de 2013 em 14:40

        concordo plenamente, o post não e assustador mais e uma ótima historia

        • Deus

          18 de julho de 2013 em 23:53

          Oh grande guerreiro, estou horrado, pois vois respondeste meu comentário!

  5. Diego Luis

    18 de março de 2013 em 19:56

    Ual! Incrivel!, gostei muito de ler esse conto =P

  6. Dêssa

    18 de março de 2013 em 15:06

    Demorei 2 dias para ler mais foi bem legal

  7. Ana Carolina

    16 de março de 2013 em 01:34

    Nossa mto bom! Valeu a pena ler apesar de ser grande rs

  8. Dallila Evans

    15 de março de 2013 em 17:28

    Legal o conto =)

  9. Mio-chan

    15 de março de 2013 em 17:06

    Legal , mas o final devia ter sido melhor  ^^

  10. Li Syaoran

    15 de março de 2013 em 14:56

    Ótimo conto, mas o final foi um pouquinho broxante.

  11. Shun

    15 de março de 2013 em 14:36

    Legal, bem escrito.

  12. Yan Lucas

    15 de março de 2013 em 12:58

    Pretendo ser escritor, poderia mantar contos para vocês? tem que ser necessariamente de terror? caso sim não há problema, mas só para me dar mais ideias só pode ser terror? como faço para enviar?

  13. Capitão Jack Sparrow

    15 de março de 2013 em 12:26

    texto grande pra caramba = preguiça de ler….

  14. Wagner

    15 de março de 2013 em 09:36

    Minha net tá tão lenta que só quando eu tava quase na metade do texto que apareceu a tela afrodescendente .-.

  15. Gumball Watterson

    15 de março de 2013 em 00:09

    Cara#$% esse post ta possuído pelo satã, eu vi uns olhos piscando atrais do texto e depois sumiu. Etá porra vou me benze.

    • Capitão Jack Sparrow

      15 de março de 2013 em 12:25

      em todo post desse tipo colocam os olhos… é muito tenso

  16. Lord Geo Dampierre

    15 de março de 2013 em 00:05

    Legal o conto,gostei bastante eu tive que marcar “checkpoints” a cada imagem para poder não me perder por causa de interrupções

  17. Bernardo Tell

    14 de março de 2013 em 23:51

    Mt grande, outro ano eu leio -q

  18. Jeff Dantas

    14 de março de 2013 em 23:02

    Bom, o texto é meio gigante, mas vale a pena…heheh Eu diria até surpreendente no final. ^^

    • From Hell

      15 de março de 2013 em 00:05

      é meio gigante? imagina se fosse inteiro gigante rçrçrçrç

      • Wagner

        15 de março de 2013 em 09:37

        Grassadona você

  19. PATROCINADOR

    14 de março de 2013 em 23:00

    VADIA DO GOOGLE TRADUTOR

    LEIA PARA MIM
    • Deus

      18 de julho de 2013 em 23:54

      Bota meu lime para dormi as 10 horas!

  20. Eric Cartman

    14 de março de 2013 em 22:50

    SharkBoy e LavaGirl

    #DeusDoNovoMundo
    • Ana Caroline

      14 de março de 2013 em 22:52

      Lembrei deles também e.e

30 Comentários
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