Lua de Sangue

Contos Minilua: Dolls Maker #138


Sim, e desde já, contamos com a sua participação. O e-mail de contato: Jeff.gothic@gmail.com! A todos, uma excelente leitura!

Dolls Maker

Por: Juliana Lopes

Era o cara dos sonhos. Gentil, educado, um verdadeiro lorde. Nunca foi em sua casa pois ele morava sozinho e “não ficava bem pra uma moça de família ir na casa de um homem solteiro”. Ela amava isso nele, mas também estranhava. As vezes queria ir mais longe mas ele sempre muito respeitador não permitia. Se acostumou com isso enfim.

As amigas perguntavam, instigavam e ela sempre escapava das respostas. Não queria decepcioná-lo, mas um dia não aguentou e pediu para ir em sua casa.

– Ainda não amor… – ele dizia. – Um dia vamos ficar juntos para sempre.

– Mas amor… Eu confio em você. Sei que nunca fará nada que eu não queira. Me deixe ver pelo menos como é…

Passou a noite insistindo mas não houve jeito. Ele a deixou na porta de casa para ter certeza que ela não o seguiria depois e assim passaram-se os dias.

Ela se irritou. Em um dia de feriado, levantou cedo e foi. Sabia que ele estaria em casa afinal, no dia anterior houve uma festa da empresa. Sabia onde era mas nunca tinha entrado e nesse dia tocou a campainha e fez praticamente uma vigília do lado de fora. Ele ligou para ela, pediu que fosse embora, mas ela não queria conversa. Nem as dores de cabeça que ele sentia devido a leve ressaca foram suficientes e então ela entrou.

Viu vários papéis e anotações sobre a mesa de centro e alguns aparelhos cirúrgicos sobre o sofá. Ele a olhava com aquela cara que as pessoas fazem quando estão com dor e ela não reparou quando ele trancou a porta.

– Pronto. Você queria entrar. Entrou. Satisfeita?

– Nossa amor. Pra quê tanto mistério? E por que esses aparelhos se você nem é médico?

– Você pergunta demais… Quer saber coisas demais.  – Agora ele estava próximo da mesa e recolhia e organizava alguns papéis.

– O que você está me escondendo?

– Isso.

Ele lhe deu os papéis e foi para a cozinha. Ela notou que ele tinha anotado toda a sua rotina e medidas do corpo, desde o peso ao tamanho do pulso e comprimento do cabelo. Quando ele voltou, ela sentiu apenas uma forte dor de cabeça e não viu mais nada.

Ao acordar viu um taco de beisebol no chão e sentiu um lado da cabeça latejar. Com a consciência retomada percebeu que estava amarrada em uma cadeira e ele estava sentado em outra a sua frente. Ele olhava para ela com olhos famintos e inquietos, olhos grandes de um bicho que está prestes a atacar.

– Você sabe o que são os Dolls Makers?

– O que está acontecendo?

– Dolls Makers, são uma organização que produz bonecas sexuais. Porém, só quem tem muito dinheiro mesmo consegue adquirir o material deles afinal, o processo de fabricação é longo, mas o material é de excelente qualidade.

– Do que você está falando?

– Preste atenção meu amor, senão você se perde… Eu pensei em adquirir uma boneca por eles, mas eu ainda não tenho muito dinheiro e percebi que era mais barato aprender a técnica deles do que comprar feita. Claro que a qualidade não vai ficar tão boa mas… Vai servir.

– Por que está me olhando assim?

– Sabe como as bonecas são fabricadas? Os Dolls Makers que caso você queira saber, não existem por aqui, pegam meninas de orfanatos, entre 9 e 10 anos e as levam para suas casas. Lá eles lhes dão banhos e depois várias anestesias. Depois eles amputam seus braços um pouco acima dos cotovelos e as penas bem acima dos joelhos, assim elas jamais poderão fugir deles.

Mas como esteticamente, tocos de braços e pernas são feios, eles anexam uma barra de metal de pelo menos cinco centímetros bem firme ao osso antes de costurarem as feridas. A outra ponta da barra é em formato de rosca de parafuso para que se possa colocar qualquer coisa ali e pendurar a boneca onde quiser…

– Pare, me solte! Eu não quero ouvir mais! Você é louco.

– Calma meu bem! – Ele agora segurava seu queixo com a mão firme. – Você não queria entrar? Então vai ouvir até o fim!

Ele tremia mas a mão segurava seu rosto frágil extremamente forte. Ela sentia sua respiração quente a frente do rosto e notou como seus olhos brilhavam.

– Eles cuidam das feridas para não infeccionarem e uma vez curadas, são colocadas bases de silicone e veludo branco para ficar mais bonito visualmente. Uma vez com os braços e pernas completamente recuperados, se as meninas sobreviverem, é hora de cortar suas cordas vocais e tirar seus dentes, e pra não deixar elas simplesmente banguelas, é colocado uma prótese de silicone, assim, se tentarem morder não machuca. Seus olhos também são danificados de forma que ela não vai conseguir enxergar mais que vultos e luz. Depois de toda a recuperação é feito todo um treinamento e assim elas se tornam brinquedos sexuais vivos.

– Isso é… Doentio. Me solta agora! – Ela começou a gritar.

– Já disse. Cala a boca! – Ele se aproximou tanto de seu rosto que teve medo de levar um soco. – Como eu ia dizendo, além de todo esse processo, quem compra a boneca fica totalmente responsável por ela pois ela vai precisar de ajuda para comer e para todas as suas necessidades. Eu adoraria comprar uma mas…

Não tenho dinheiro para comprar e nem dinheiro para ir no lugar onde são fabricadas, então, resolvi fazer uma pra mim, só que já crescidinha. – Ele deu um sorriso bem aberto onde era possível ver todos os seus dentes. Era um sorriso insano e ao olhar em suas mãos, ela percebeu que ele agora segurava uma seringa e se aproximava dela novamente.

– Você vai ser minha boneca meu amor… Eu queria esperar mais, para conseguir uma desculpa convincente para seus pais e amigos, mas você, não me deixa outra escolha…

– Me solta, por favor! – Ela chorava. – Eu prometo que não conto nada pra ninguém e nunca mais te procuro. Prometo de não vou te denunciar pelas suas insanidades mas por favor, me deixa ir embora!

– Meu amor… – disse ele suavemente passando a mão em seu rosto – Você que quis entrar aqui. Eu não ia deixar, mas você insistiu. Minha dor de cabeça ainda não passou. Você queria entrar e entrou, mas agora não vai sair mais. – sua voz era grave e pesada e só fez com que ela chorasse mais e mais alto, com isso, levou um tapa forte na boca e logo em seguida sentiu a agulha em seu braço.

Ao acordar, estava deitada e amarrada numa maca, e ele com um jaleco branco preparando mais seringas.

– Agora que você já está mais calma, vamos começar o procedimento. Se meninas de nove e dez anos aguentam, tenho certeza que você meu bem também vai aguentar. – ele dizia isso com o mesmo sorriso insano de satisfação no rosto. Ela ia tentar gritar mas quando percebeu já estava adormecendo de novo e então, o processo começou.