Contos Minilua: Brinquedo quebrado #117

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Brinquedo quebrado

Por: Valentinna Vasconcellos.

Ela era aquela que sempre sofreu com as piadinhas e com as brincadeirinhas de colegas de turma. Não era nada mais que uma esquisita. Várias coisas eram motivo de risos entre eles, o principal era a personalidade e as atitudes de Bárbara.

Era uma garota solitária, introvertida, tímida. Tinha o olhar distante que olhava frequentemente 4276820366_cffdf47ed3_zpara trás. Em seus plenos 16 anos, a coisa que mais chamava atenção era a prateleira com sua coleção de 110 bonecas. Barbara conversava com elas e as vozes a deixavam cada dia mais perturbada. 

Até entendo sua fixação pelas bonecas. Bárbara sempre foi uma garota realmente muito linda, pele branca como porcelana, cabelos loiros e lisos que davam no final de suas costas, olhos incrivelmente verdes, rosto e corpo simplesmente delicados. Por conta disso, foi abusada desde os 7 anos de idade por amigos da família e até mesmo por seu próprio pai. E sua mãe? Oras, sua mãe sabia de tudo. Por quê ela não falava nada? Simples, para seu próprio bem.

Sua mãe era uma mulher de baixa estatura, cabelos de um tom feio de loiro ondulados até a altura de seus ombros e tinha, em seus 36 anos, um corpo de dar inveja em muitas meninas. Era uma mulher sorridente, mesmo vivendo apanhando de seu marido. Ela tinha medo. Medo de se defender. Medo de proteger sua filha. Medo de assumir a verdade a si própria. Medo de não conseguir sustentar suas luxúrias caso seu marido pedisse divórcio. Com o passar do tempo, Bárbara não conseguia mais aguentar tudo aquilo calada. A raiva, o ódio de si mesma por não poder se defender crescia dentro dela.

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Ao longo dos dias, as vozes e os sentimentos foram tomando conta de um lugar onde talvez já fora seu coração… Mas um sentimento se expandia… Um sentimento indescritível… Um sentimento bom talvez…. Ela já sabia o que queria!

Sentiu então, pela primeira vez na vida, um misto de confiança, esperança, ansiedade e algo parecido com alegria e empolgação. Queria que pagassem pelo que fizeram com ela durante toda a sua vida.

Por toda a sua vida, Bárbara sentiu-se inútil. Nunca aproveitou direito a sua infância. A vida sempre lhe pareceu algo insignificante. Por isso tinha tantas bonecas. Para desabafar com elas, já que não tinha amigos e não podia (de jeito nenhum) confiar em sua família. As bonecas sempre lhe foram verdadeiras amigas, então não podia desaponta-las. Tudo tinha que sair perfeito!

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No sábado, depois de ser acorrentada e abusada pelo pai, enquanto sua mãe não fazia nada além de ficar chorando no quarto, seus pais saíram. Geralmente iam à shows, bares ou motéis, quando chegavam iam logo dormir e acordavam de ressaca na manhã seguinte, mas dessa vez ia ser diferente.

Eles chegaram mais ou menos ás 2:35 da manhã. Bárbara estava em seu quarto quando os ouviu entrar. Esperou uns 20 minutos para esperar eles irem dormir e saiu do quarto. Chegando à cozinha o cheiro de bebida e cigarro era extremamente forte. Seus pais haviam adormecido nas cadeiras mesmo. “Patético…” ela falou quase como um sussurro. Bem, pelo menos isso facilitaria seu trabalho.

As cordas estavam no chão, ao lado de seu pé esquerdo, firmes e fortes. A faca de cozinha estava em sua mão direita, bem amolada por sinal. Ela segurava minha mão com a sua desocupada. Fui obrigada a assistir tudo.

Ela tapou seus olhos e suas bocas com os panos. Amarrou-os na cadeira em que estavam largados. Foi um pouquinho difícil, ela chegou até pedir minha ajuda (como se eu pudesse me mexer) mas ela conseguiu fazer isso sozinha. Claro que conseguiria, afinal, eles estavam tão bêbados que pareciam estar mortos…

Bárbara passara a madrugada inteira acordada, a ansiedade e a raiva falavam sempre mais forte. Afinal, o ser humano sempre fará de tudo até que ele consiga realizar seus desejos e prazeres (seu pai seria um exemplo disto). Durante esse tempo ela não comeu nem bebeu nada, só conversava comigo. Eu tentava convence-la de que isso era errado. Que ela não poderia fazer tal coisa, porém, ela não me ouvia. Claro, nela não havia mais sentimentos, foram todos roubados brutalmente. Sua noção de certo e errado foi completamente modificada. E ela nunca se acostumou com a solidão, tornando-se simplesmente fria.

Na manhã de domingo, seu pai fora o primeiro a acordar. Tentou abrir os olhos mas só via escuridão, tentou falar algo mas só escutava gemidos altos, começou a entrar em pânico e sua respiração ficara ofegante. Escutou um riso seco.
- Bom dia paizinho! Lindo dia, não?! Ah é, esqueci que você não pode vê-lo. Essa situação é divertida!- dizendo isso ela tira sua venda e o pano que cobria sua boca.
-O que você quer?
-Ahahaha, o que quero? Ora, por favor, não se faça de burro.
-Fale logo o que quer!- seu grito acabou acordando sua esposa que preferiu ficar calada, só escutando tudo.
-Você sabe o que fez comigo. Eu acho que não precisaria nem dizer nada.- ela falava tudo com um grande e assustador sorriso. -Paizinho querido, você está bem?
Nesse momento ele murmurou algo incompreensivo.
-O que disse?
-O que você quer, demônio em forma de menina?
O sorriso dela congelou. Sua face deu lugar a uma expressão fria.
-Quero que você pague por todos os seus pecados. Mas não se preocupe, farei isso de forma justa e dolorosa.
-Vá para o inferno!
-Nos veremos lá.
Sua mão estava um pouco trêmula.
-Bem, bem, por onde devemos começar? Pela boca? Não,não, quero escutar seus gritos. Pelos olhos? Não, quero ver o medo em sua face, o mesmo medo que senti quando você abusou de mim pela primeira vez, se lembra disso? Você estava se divertindo tanto… Agora é minha vez de me divertir… Então… Talvez eu deva começar fazendo você sofrer do mesmo modo que fez comigo… Talvez.…

Falando tais palavras ela começou seu trabalho. Barbara passava a faca delicadamente pelo rosto da pessoa que sempre lhe trouxe dor. Deslizando a faca por seu braço, enfiou-a com toda a força até sentir os músculos e ossos. O sangue escorria. Ainda com a faca enfiada no braço de seu pai ela deslizou-a, cortando a carne, a pele e algumas veias até chegar à sua mão.
Seu pai soltou um grito horrível e Barbara abriu um sorriso imenso.
Ela arranhava sua face com a faca cuidadosamente. Primeiro as maçãs do rosto, depois a boca, os olhos. O sangue era uma recompensa por seu trabalho bem feito.

Seu pai dizia coisas horríveis que nunca irei esquecer. Coisas que fizeram com que Bárbara ficasse incomodada. Ela cortou sua boca ferozmente e afundava a faca cada vez mais forte. A raiva só aumentava e a consumia. E ela finalmente o fez. Fez com que ele sofresse como ela.

Antes que ele desmaiasse, ela afundou a faca em seu abdômen e o abriu. Tirou órgão por órgão até sobrar em suas mãos um corpo vazio e sem vida. O sorriso que abrira em seu rosto foi o suficiente para me assustar de verdade.

Agora foi a vez de sua mãe.

Pra ser sincera, não queria que ela a matasse. Apesar do medo que tinha, ela era uma boa pessoa. Nunca desejou mal a ninguém e sempre via tudo de maneira positiva.

-Bom mãezinha, me perdoe, mas terei de fazer isso. – disse Barbara em tom sério.

Ao contrário do que fizera com seu pai, ela não tirou o pano de seus olhos ou o de sua boca. Será que ela estava com… pena?

Sua mãe dava gemidos altos, tentava falar alguma coisa, mas ela mesma sabia que era inútil tentar mudar os pensamentos de sua querida filha.

E então Barbara cortou seu pescoço rápida e profundamente. O jato de sangue foi forte o bastante para que gostas espirrassem em meu rosto.

Após concluir o que tanto queria, ela me segurou e me abraçou forte. Foi para o quarto e adormeceu uns 5 minutos depois.

Manhã de segunda-feira, a policia bate arromba a porta e leva Barbara de mim. A faxineira, que tinha as chaves da casa, a denunciou. Ouvi dizer que Barbara confessou tudo e a levaram para uma clinica psiquiátrica.

Sentirei falta de seus abraços e de nossas conversas. Sentirei falta dela.

Isso foi o que aconteceu a ela. Bárbara, uma garota que nunca soube definir ao certo o seu destino. E quanto a mim? Bem, depois de a policia invadir a casa e de a levarem embora, me trancaram aqui no porão, junto com as outras 109 bonecas.

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  1. Carlos Eugenio

    21 de julho de 2015 em 13:44

    um tanto quanto confuso,mas valeu a tentativa!!

  2. Valentinna Vasconcellos

    26 de agosto de 2013 em 18:42

    Muito obrigada á todas as críticas, prometo tentar melhorar cada vez mais!
    Eu, realmente, só queria agradecer á todas as pessoas que estiveram todo o tempo do meu lado, me encorajando, muito obrigada Laura Neres, Romeica Dutra, Júlia Pearce e á Barbara Liz, musa inspiradora kkk, meninas, obrigada por tudo! Amo vocês!

  3. Litzen Vampiro

    26 de agosto de 2013 em 15:49

    Finalmente ja tava sentido falta dos contos com tela preta…
    Mas cade o Jeff?…

  4. Kermit Figueiredo

    25 de agosto de 2013 em 23:17

    O filme ke eu já vi, mais paresido com este conto, é: Cavaleiros do apocalipse. A menina só não mata o estuprador, mas mata a mãe e fotos do cara são descobertas.

  5. Garota Infernal

    25 de agosto de 2013 em 19:53

    Eu gostei e desgostei. Eu imaginava algo diferente. Ele foi excepcional para o que foi feito, mas não para as minhas expectativas. Eu meio que adivinhei o final, não achava que seria desta forma, com esses detalhes, porém eu imaginei. Antes de tudo, posso dizer o que eu achava que seria feito na história? Eu achei que ela não os mataria, achei que ela tentasse algo diferente, pois, como no minilua sabemos que a maioria dos contos é sobre assassinato, depois do último conto eu pensei que as pessoas começariam a inovar neles, mas eu estava errada. Eu esperava que ela tivesse um laço mais forte com a mãe e que se sentisse realmente entre o “matar ou não matar”(isso no meio do conto), mas não foi o que ocorreu, eu senti que ela teve mais medo do que aconteceria com ela, pois ela sente que a mãe é uma pessoa, mata-la é um crime, mas o pai não é uma pessoa, então mata-lo não é um crime, mas eu não senti o “Eu não quero matar minha mãe”. Eu achei que ela se safaria, ela acabou sendo burra, pois menininhas novinhas e bonitinhas não são perdoadas na prisão, as outras mulheres estupram mesmo, existem muitas lésbicas na penitenciária… Então ela sairia de um abuso para outro, mas mesmo assim, ela entrou em um abuso ainda pior, o abuso psicológico, pois ela estava em choque na hora e podia ver que ela ainda era uma pessoa sã, apesar de conversar com bonecas, mas as bonecas eram o refúgio dela pois dentro de si ela ainda carregava uma menininha inocente, então ela não conseguiu crescer psicologicamente por não ter tido infância, mas ela não era louca coisíssima nenhuma, não se tronou psicopata pois nada que ela fez foi em benefício próprio, foi em vingança á menina que ela era antes. Eu me empolguei mas não senti o conto pleno. Ele foi bem escrito, de uma forma dramática, porém, acho que a narração da boneca não mostrou de forma tão forte os sentimentos da menina, daria para sentir melhor os sentimentos dela se fosse ela narrando. Gostei da proposta inicial e da forma que foi escrita, mas achei o final apenas mais um clichê daqui do minilua.
    Nota: 6
    Prós: Narração dramática e mórbida. Um bom ponto inicial, “A bela garota estuprada que quer se vingar dos pais.”
    Contras: Não senti os sentimentos dela e o final foi muito clichê, poderia ter ousado mais.

    • Valentinna Vasconcellos

      26 de agosto de 2013 em 19:32

      Muito obrigada pela critica sincera!! Prometo fazer meu melhor para o próximo conto!

    • Garota Infernal

      25 de agosto de 2013 em 19:57

      Hum, quase me esqueci de uma coisa: Acho que ficou devendo um diálogo entre ela e a boneca. Seria muito interessante mostrar a inteiração dela com as bonecas.

  6. Lucas Rodrigues

    25 de agosto de 2013 em 12:06

    Essa é a edição #118 e não #117.

  7. nathália Rodrigues

    25 de agosto de 2013 em 11:43

    pensei que o jeff tinha voltado …
    primeiro conto envolvendo bonecas que na verdade são boazinhas que eu vi . 😮

  8. Iago Fernandes

    25 de agosto de 2013 em 11:25

    Pensei que fosse do Jeff nem li o texto só fui ver se o Jeff tinha voltado

  9. Neko-san

    25 de agosto de 2013 em 11:14

    Legal-nya.
    Esse conto lembra de certa forma 1 pessoa que eu conheco-nya D=.

  10. Mary

    25 de agosto de 2013 em 11:04

    gostei da historia, tenho certeza que ela nao pararia por ai porque no final ela se tornou igual ao pai.

    • Adan Vincon

      25 de agosto de 2013 em 11:18

      estranho como ela se parece com vc…
      gosta de bonecas, é solitaria, ja matou alguem…

  11. Lucas Rodrigues

    25 de agosto de 2013 em 07:20

    Muito bom o conto, a menina se vingou do pai de uma forma insana e sobrou pra coitada da mãe, não tinha culpa de nada por ter uma filha psicopata. Pelo que eu vi sobre as características da personagem, realmente algumas pessoas que são solitárias e tímidas escodem um lado oculto, um lado que não é mostrado, uma dupla personalidade, muitos já me julgaram, já que eu sou assim no colégio onde e estudo, tímido e não falo com quase ninguém, já desconfiaram muito de mim, já especularam que eu era uma psicopata, enfim, muitos tem preconceito contra pessoas tímidas mas eu vou tentar mudar e as características da Bárbara me lembram a minha situação, porém, atualmente não sou ridicularizado como em anos anteriores, isso ficou no passado.
    Só fui perceber que era a boneca que tava narrando o conto lá pela metade kkk. O final foi morno mas gostei, porém, algumas coisas não ficaram muito bem explicadas, mas as motivações que levaram a personagem a cometer tais atos foram bem aproveitadas, a solidão fez com que ela se torna-se esse ser vingativo. Nota: 8,0 – Bom
    #voltaJeff

    • Super

      25 de agosto de 2013 em 11:57

      não li o conto ainda.. nem seu comentario..
      #VOLTA JEFF!!!

      • Um qualquer

        25 de agosto de 2013 em 17:44

        Cara, não tá sabendo? O Jeff agora ficou rico e agora está morando em uma ilha paradisíaca, recheadas de mulheres, e lá ele pratica todos os fetiches que ele postou no site ‘-‘…..
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        Agora sério, acho que ele tá de férias

    • Um qualquer

      25 de agosto de 2013 em 10:25

      A mãe não teve culpa de nada? Qual é…. passiva , não fez nada para impedir que a própria filha fosse abusada por um monte de gente. Sequer esses tipos de pessoas podem ser consideradas mães. A personagem teve tanta culpa na vingança da filha quanto o pai.

      • Garota Infernal

        25 de agosto de 2013 em 19:56

        Olha, ela é uma mulher de 36 anos no rab0! Ela deveria ter levado a filha para longe mas preferiu as orgias com o macho dela, na minha opinião, teve culpa sim, mas não merecia morrer, o desprezo de um filho já é a facada no coração da mãe, se Bárbara tivesse ido embora depois de matar o pai, ela ficaria em amargura e culpa, ela mesmo se auto-destruiria.

        • Um qualquer

          26 de agosto de 2013 em 11:33

          Não disse que ela merecia morrer, só disse que ela teve tanta culpa quanto o pai.

      • Lucas Rodrigues

        25 de agosto de 2013 em 11:59

        É mesmo, nem tinha percebido esse detalhe 😛

    • Lucas Rodrigues

      25 de agosto de 2013 em 07:23

      *que eu era UM* (esse teclado tá horrível, vive me trollando, que droga)

  12. Dingodile

    25 de agosto de 2013 em 06:30

    Muito bom o Conto, Amei 🙂

  13. Marci Jones

    25 de agosto de 2013 em 03:53

    Valeu a tentativa, mas tá muito mal escrito e confuso e o final é bem bobinho.

  14. Gaby

    24 de agosto de 2013 em 23:43

    Achei a história interessante, mas algumas partes ficaram meio confusas. .-.

  15. Nepeta Leijon

    24 de agosto de 2013 em 23:43

    eu li um pouco tipo, um pouco mesmo. vou ler mais tarde

  16. Dark Vampire

    24 de agosto de 2013 em 23:42

    Acho que estou com um pouco de preguiça de ler, mas parece ser um texto legal.

  17. Super

    24 de agosto de 2013 em 23:40

    to sozinho aqui!

  18. Super

    24 de agosto de 2013 em 23:40

    hum, o povo sumiu..

  19. Estudante

    24 de agosto de 2013 em 23:39

    É o segundo conto que abaixo logo pros comentários pra ver se foi postado pelo Jeff…

  20. Super

    24 de agosto de 2013 em 23:39

    ola!

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