Contos Minilua: Anabell #140

Sim, e desde já, contamos com a sua participação. O e-mail de contato: [email protected]! A todos, uma excelente leitura!




Anabell

Por: Diego Pimentel

anabell 1

Morava com as duas tias solteiras, sempre sonhou em ser mãe. O ideal da família perfeita sempre estivera presente em suas aspirações: Um marido amável, preocupado com a família e esforçado no trabalho. Um casal de filhos que iria amar como se eles fossem a única coisa que a fazia existir. Esse sonho sempre vinha nas noites em que se sentia melhor e aquilo foi, aos poucos sendo associado ao bem estar dela.

O tempo passou e Anabell apenas alimentou mais e mais o sonho da família perfeita, mas o mundo não é perfeito e muito menos justo, aos 21 anos ela ainda guardava a sua pureza para o homem de sua vida, aquele príncipe encantado que viria a lhe amar como nenhuma outra mulher já foi amada.

Foi nessa idade que ela conheceu Artur, um fotografo estrangeiro que estava auxiliando na propaganda do hospital em que Anabell era enfermeira.

Eles se apaixonaram e um romance começou ali. Ele jurava amor eterno e dizia que ela era a mulher da vida dele e que nunca havia amado outra pessoa como ela e em sua inocência e por estar perdidamente apaixonada, ela acreditava em cada palavra que ele dizia. Depois de três meses de encontros, beijos e o que parecia ser um namoro, ela se entrega a ele perante a promessa de que um dia eles iriam se casar.

O que nenhum dos dois fazia ideia é que aquele relacionamento tinha um terceiro membro, que todas as noites observava Anabell ansiando pelo momento em que pudesse influenciar aquela inocente criatura. Um membro que não tinha intenção de ser reconhecido, pelo menos não agora.

A noite foi maravilhosa, até certo ponto, perder a virgindade não era algo muito agradável, mas essa ainda não tinha sido a pior parte, nem quando ela reparou que depois de terminar tudo, eles estavam sem camisinha. O pior veio durante o sono, um sonho com um homem que nunca havia conhecido.

Ele lhe falava manso e agradável aos ouvidos, tinha uma pele branca e todos os atributos que sempre sonhou em um homem perfeito. Ele veio com uma conversa atraente, convidativa e envolvente da qual não conseguia se esquivar, por mais que tentasse. Após um longo tempo de conversa e flerte, Anabell cede aos encantos do homem, que a possui de todas as formas possíveis, faz coisas com que ela nunca havia imaginado fazer.

No outro dia pela manha ela acorda estranha, sentindo varias dores e com marcas pelo corpo e ao se virar para sair da cama repara que está vazia e no criado mudo jazia uma folha de papel com algumas desculpas esfarrapadas e o nome de Artur no final.
Aquela fora a pior decepção que Anabell já havia passado até então. Seu coração parecia vacilar no peito como se quisesse parar e acabar com aquela existência.

Ela passou o mês inteiro se sentindo mal, por varias vezes sentia náuseas e vomitava, até que em uma tarde, durante um plantão exaustivo, ela desmaiou e quando acordou, num dos quartos do hospital, o seu mais antigo colega de trabalho, Daniel, que estava sentado ao lado da sua cama com a sua tia mais velha, esboçava um sorriso tímido e então ela ficou sabendo que Artur lhe deixara mais do que apenas o coração partido.

No começo Anabell não queria aquela criança, pois aquela barriga lhe trazia a mente não a noite que perdera sua inocência, mas a manhã seguinte… O coração com um rasgo… A dor que aquela carta trouxera…

“O tempo cura tudo!” Dizia sempre a sua tia mais velha, que passara por dois casamentos mal sucedidos. Isso pode até se aplicar para a maior parte das coisas, mas não foi ele que mudou a opinião de Anabell. Ter um filho era algo que ela almejava desde criança e se ter a família perfeita não era possível, ela iria ter ao menos metade do seu sonho.

Ela seria mãe e pai daquela criatura indefesa que estava se formando em seu ventre. Ela se dedicaria de corpo e alma para aquela criança, SUA criança! Ninguém iria interferir naqueles planos! E com essa meta em sua vida, Anabell doou-se completamente a criação do seu filho.

Depois de uma gravidez complicada e perigosa, chega o dia do parto. As dores que ela sente são tão intensas que durante o trajeto ao hospital, ela desmaia no banco do taxi. O parto lhe proporcionou tanta agonia, que ela acordou durante o processo cirúrgico apenas para dar um grito e desmaiar novamente.

Quando começa a recobrar os sentidos, ela vê a silhueta de um homem com algo nos braços. Um homem que ela já conhecia. A memória naquele instante lhe falhava, mas de certo já vira aquele homem… Mas a sensação era muito forte para um simples conhecido.

Agora, com os olhos já adaptados ao ambiente ela pôde perceber que era noite e que o homem não vestia a tradicional bata branca, o que lhe deixou preocupada a principio, mas aquela voz…

- Boa noite, minha queria Ana… Ah, desculpe, bell… Foi assim que você pediu para que eu lhe chamasse, não foi?! - Um calafrio percorreu todo o corpo de Anabell ao ouvir aquela voz. - o que foi? Você teve um parto de risco, tanto você quanto o garoto poderiam ter morrido. Eu não poderia ficar em casa de pernas pra cima, você não acha? Você ainda não se recuperou por completo, parece pálida, será que consegue falar?

Mesmo com a cabeça pensando em um milhão de perguntas, ela conseguiu formular uma racionalmente:
- Quem é você?
- Ora, ora, minha cara… Quem você acha que sou? - e um sorriso sarcástico escapava dos lábios dele enquanto falava, parecia se deliciar com medo que emanava da mulher deitada a sua frente.

- Sou o seu amante, quem mais eu seria? Claro que eu tinha que ver a minha concubina e meu filho… Nosso, desculpa… - outro sorriso lhe escapou, mas esse era muito mais psicótico.

- Eu me entreguei a apenas um homem na minha vida! - juntando o pouco de coragem que lhe restava, Anabell decidiu acabar logo com aquilo. Aquele era SEU filho e SEU apenas. - por tanto entregue MEU filho e saia daqui ou eu cham…

- Chamarei a segurança… Se eu ganhasse uma alma pra cada vez que eu escutei isso, quem reinaria seria eu! É claro que nosso filho vai ficar com você, até porque o conselho tutelar não classificaria minha casa como um ambiente propício para a educação de uma criança.

E sobre se entregar apenas um “homem”, pode-se dizer que isso é verdade. Mas você gostou muito daquela noite… Tenho que admitir você me impressionou. Aquele “pode colocar onde você quiser” realmente foi surpreendente.

A vergonha agora se estampava em sua face que corava a cada palavra que era dita pelo homem que insistia em falar aquelas coisas imundas que ela havia sonhado. O quarto parecia muito mais escuro do que quando abrira os olhos, a presença dele agora lhe prendia toda a atenção, como se estivesse sendo hipnotizada.
- pare com isso, o que você quer de mim?

O que eu tenho que fazer para você me deixar em paz? - inquiriu Anabell sem conseguir conter mais as lágrimas que insistiam em sair.

- Bem, eu queria conversar um pouco mais sobre aquela noite, sabe… Mas já que você está querendo ir direto ao assunto… Eu quero que você saiba que a eu irei providenciar condições ideais para que ele se torne digno de se intitular MEU FILHO, não como os outros, Hittler até que chegou perto, mas não vai se comparar ao nosso filho!

O terror agora era nítido nos olhos de Anabell que não conseguia fazer os olhos pararem de verter lágrimas. Ela sentia todo o seu coração se comprimir, ela estava perdendo o seu filho para aquele demônio, que falava com tanta propriedade sobre aquela criança e em seu impulso maternal ela grita:

- DEIXE ELE EM PAZ! PODE ME LEVAR SE QUISER, EU LHE DOU O QUE VOCÊ QUISER, MAS DEIXE O MEU FILHO EM PAZ!
Um sorriso terrível se formou no rosto daquele homem que, sem esperar mais, entregou a criança a sua mãe e disse com uma voz ruidosa e rouca:

- Que assim seja! Mas não se esqueça de que eu voltarei para cobrar a sua dívida!
E então Anabell adormece com a criança entre seus braços e a cama do hospital. Sem muita demora, uma enfermeira chega no apartamento em que Anabell se encontra e a acorda e pergunta o motivo dos gritos.

Sem uma explicação plausível para o acontecido Anabell finge ter tido um pesadelo e volta a dormir e tem um sono sem sonhos.

O tempo passa e Anabell começa a ver que a vida é muito mais difícil do que ela imaginava, difícil e injusta. Não encontra muito tempo para passar com seu amado filho, tendo que deixá-lo com babás durante a maior parte da semana. Mas os momentos em que estava com ele eram divinos, a alegria de poder estar ao lado e acariciar o cabelo sedoso do seu amado Felipe era sem comparação a melhor sensação que já havia provado na vida.

O sentimento materno estava se tornando possessão, a ponto de Anabell pedir para a direção do hospital para deixar o garoto na ala pediátrica, com as crianças que sofriam com câncer. O hospital se tornara um lugar mais presente do que a sua casa e o pequeno Felipe já se acostumara com o ar e todos os diferentes sons, não tendo problemas para dormir enquanto sua mãe fazia plantões e mais plantões para juntar uma poupança para pagar a futura faculdade do filho.

E foi aos três anos de vida que o destino se mostrou cruel. Em uma tarde, Felipe brincava com alguns brinquedos na ala pediátrica com sua mãe, durante o horário de almoço dela e, de repente, ele cai e bate a cabeça em uma das cadeiras e desmaia com o nariz e a boca sangrando. Foi um milagre ele ter sobrevivido ao traumatismo, mas o coma foi inevitável.

Sentindo-se culpada, Anabell cai em uma depressão imensa e começa a se descuidar durante seus plantões no hospital, esses descuidos culminam com a sua demissão e então, sem mais nada que ficasse ente ela e o filho e com o dinheiro que havia juntado, ela fica com o filho todos os dias durante um ano inteiro. A depressão só aumente, ela fica magra pois começa a fumar sem escrúpulos e ao final do ano, Daniel, o mesmo que lhe deu a noticia de que estava grávida, lhe traz a noticia de que ela não tem mais condições de manter o filho na UTI.

E que sendo assim eles teriam que tentar um tratamento menos convencional e desligar os aparelhos. Ela então sai correndo para fumar um cigarro, é quando, na porta do hospital o homem estranho lhe aparece novamente.
- boa noite bell, que lindo luar, não acha?

O terror, medo e angústia se misturam e saem em forma de gotas pelos seus olhos.
- Bem, como você não gosta de muita conversa, eu vou direto ao ponto. Vim para cobrar a sua dívida. Mas como você me deu um filho, eu vou mostrar que posso ser bondoso. Apenas deite aqui em meu ombro e deixe essa existência patética cheia de carne e sangue e torne-se algo superior!

Em um instante Anabell via seu corpo cair ruidosamente no chão e alguns dos paramédicos que ali fumavam, como que por instinto, correram para tentar socorrer aquele pedaço de carne sem vida.
- Como eu falei, eu posso ser bondoso e lhe dar uma segunda chance. Você pode ser a mãe de todas as crianças deste hospital, ao livrar-se dessa limitação que é o corpo humano, você pode até mesmo ensinar lições às mães que não entendem o verdadeiro significado disso.

E foi então que na mesma noite em que Felipe voltou de seu coma, ficou órfão. Ou era isso o que os documentos lhe contavam, quando anos depois de ser adotado por uma família do outro lado do país, ele quis saber a sua origem, mas não constava nada sobre a identidade do seu pai.

Até hoje se escuta passos e um choro de desespero nos corredores da ala pediátrica e as taxas de suicídios das mães depois do parto aumentaram drasticamente.

Reaja! Comente!
  1. Carlos Eugenio

    15 de dezembro de 2015 em 11:31

    muito bem escrito esse conto,cheio de suspense e um pouco de drama!parabens!

  2. Carlos Eugenio

    21 de julho de 2015 em 20:10

    historia muito cativante,adorei!!!

  3. Diego Aguiar

    16 de novembro de 2013 em 01:49

    Pessoal muito obrigado pelos comentários que em sua maioria foram positivos.
    Eu estou escrevendo continuações, que de início não vão parecer uma continuação, mas com o tempo você entenderão.
    Obrigado a todos!

  4. Miss_Fortune

    15 de novembro de 2013 em 10:15

    Eu ainda não entendi oque aquele homem queria. :|~~

    • Ana Castro Abreu

      15 de novembro de 2013 em 14:44

      aquele homem era o diabo e alguns dizem que quando ele tem relaçoes sexuais com uma mulher e ela fica gravida,a criança que nasce será o proximo anti-cristo

      • Miss_Fortune

        15 de novembro de 2013 em 18:14

        Ah,obrigada! 🙂

  5. Antonio Faustino Joy

    15 de novembro de 2013 em 05:53

    que coisa mais estranha ya?

  6. Dark J

    14 de novembro de 2013 em 21:59

    Que conto estranho. Principalmente o final que foi meio sem sentido, mas ok.

  7. jhajá

    14 de novembro de 2013 em 15:49

    forte e impactante. quandio o assunto é mãe, o bicho pega!!!

  8. Vanessa Oliveira

    14 de novembro de 2013 em 11:44

    Adorei Invocação do mal, e o 2 falará sobre a história da Annabele que só foi citada no filme.

  9. Um qualquer

    14 de novembro de 2013 em 10:30

    Conto envolvente do início ao fim… e muito bem elaborado, nota 10

  10. Pikachu Girl

    14 de novembro de 2013 em 10:30

    O conto não me assustou , mas foi o melhor que meus olhos puderam ler.

  11. Lucas Rodrigues

    14 de novembro de 2013 em 07:15

    Narrativa muito bem contada e elaborada. Durante a leitura eu achei que o conto tinha sido inspirado no filme O bebê de Rosemary, mas depois vi que é uma história bem mais interessante do que aquele filme. Misterioso, intrigante e envolvente, são exatamente essas características que fazem o conto ser o que é. As imagens foram muito bem escolhidas, combinam com o enredo cheio de suspense 🙂
    Nota: 10,0 – Excelente, parabéns ao autor ^^

    • Lilian

      14 de novembro de 2013 em 12:05

      Pensei que vc nunca dava nota 10…

      • Lucas Rodrigues

        14 de novembro de 2013 em 15:13

        De vez em quando eu dou 10, mas só pros contos que realmente me empolgam 🙂

  12. Luís Felipe

    13 de novembro de 2013 em 23:40

    Cadê o “As mais belas”?
    O “30 belos motivos”?
    Posta logo aê, q esses contos me dão sono.

    • Jeff Dantas

      14 de novembro de 2013 em 12:10

      Em breve, eu prometooooooo! 🙂

    • L

      13 de novembro de 2013 em 23:43

      kkkk

  13. Android

    13 de novembro de 2013 em 23:30

    Finalmente um conto melhor em! Curti demais esse!

  14. Jeff Dantas

    13 de novembro de 2013 em 23:25

    • Lucas Rodrigues

      14 de novembro de 2013 em 07:16

      É assustadora isso sim kkkk

    • Android

      14 de novembro de 2013 em 03:12

      Agora que eu fui entender!

    • L

      13 de novembro de 2013 em 23:46

      Jeff sobre o que vai ser ”As mais belas…” dessa semana????

      • Envy

        13 de novembro de 2013 em 23:53

        safadjenho

        • L

          14 de novembro de 2013 em 00:02

          eu não sou desse tipo……eu apenas quero analisar a anatomia feminina baseada em fantasias um tanto quanto peculiares ou exóticas…..kkk

    • Terrorista

      13 de novembro de 2013 em 23:30

      eu prefiro uma mulher bonitas
      pq da status
      flw

      • L

        13 de novembro de 2013 em 23:41

        ”Eu não preciso de status nem fama
        Seu carro e sua grana já não me seduz
        E nem a sua puta de olhos azuis
        Eu sou apenas um rapaz latino americano
        Apoiado por mais de cinquenta mil manos
        Efeito colateral que o seu sistema fez
        Racionais capítulo 4 versículo 3”….

        • Terrorista

          13 de novembro de 2013 em 23:43

          lgl
          sua mae ta morta
          moreu d
          aids

      • Android

        13 de novembro de 2013 em 23:32

        Eu também, porêm, nós não estamos na sessão “Adulto”. E parece também que o Jeff não está querendo mais criar posts para tal!

        • Terrorista

          13 de novembro de 2013 em 23:42

          comi sua
          mae
          no banhierodo
          camarote vlw

  15. Terrorista

    13 de novembro de 2013 em 23:16

    lgl mas
    oq importa
    é o
    status falo

    • L

      13 de novembro de 2013 em 23:42

      ”Eu não preciso de status nem fama
      Seu carro e sua grana já não me seduz
      E nem a sua puta de olhos azuis
      Eu sou apenas um rapaz latino americano
      Apoiado por mais de cinquenta mil manos
      Efeito colateral que o seu sistema fez
      Racionais capítulo 4 versículo 3”…..

      • Terrorista

        13 de novembro de 2013 em 23:45

        lgl a aids
        da sua
        mae pego canser
        ta hospitalizada

        • L

          13 de novembro de 2013 em 23:56

          não me leve a mal mas acho que já é muito tarde pra criançada estar acordada então por favor vá dormir satirista…. (e faça o favor de não responder pois não lerei……kkkk)

34 Comentários
Topo